Empresas de origem espanhola dominaram o último leilão de transmissão de energia de 2026, realizado nesta sexta-feira (30/10) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na sede da B3, em São Paulo. Dos oito lotes ofertados, sete ficaram com companhias ligadas a grupos espanhóis, que somaram R$ 8,56 bilhões em investimentos previstos. A portuguesa EDP arrematou o único empreendimento restante.
O certame prevê R$ 8,9 bilhões em investimentos e terminou com deságio médio de 50,10%. A Receita Anual Permitida (RAP) contratada ficou em aproximadamente R$ 811,1 milhões, ante o teto de R$ 1,63 bilhão estabelecido pela agência reguladora. O percentual indica a redução da remuneração oferecida pelas vencedoras em relação à receita máxima prevista no edital.
Os oito projetos abrangem Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Estão previstos 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade da operação de 483 quilômetros de estruturas existentes. A capacidade de transformação será de 12.694 megavolt-amperes (MVA). A expectativa é de geração de mais de 20,3 mil empregos diretos e indiretos.
A espanhola Celeo Redes concentrou a maior parcela dos investimentos entre as vencedoras, com dois lotes que somam R$ 4,87 bilhões. Um deles é o lote 4, maior empreendimento do certame, com instalações no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em Goiás. O projeto prevê R$ 4,11 bilhões em aportes, 1.167 quilômetros de linhas e a geração de 8.225 empregos.
A empresa apresentou uma RAP de R$ 377,09 milhões, com deságio de 50,55% em relação ao teto estabelecido pela Aneel. A obra deverá reforçar o atendimento elétrico a Mato Grosso do Sul e ampliar a capacidade de escoamento da geração.
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O outro projeto conquistado pela Celeo é o lote 8, em Rondônia, que prevê R$ 753,2 milhões em investimentos. O empreendimento inclui a instalação de três compensadores síncronos na Subestação Coletora Porto Velho, com o objetivo de ampliar a estabilidade e a resiliência do sistema de transmissão que atende Rondônia e Acre.
A Cymi conquistou os lotes 3 e 5, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 2,05 bilhões. O primeiro contempla instalações em São Paulo, com R$ 1,07 bilhão em aportes e deságio de 57,08%, o maior do leilão. Já o lote 5 prevê R$ 982,5 milhões em investimentos no Paraná e foi arrematado com desconto de 46,36%.
A Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, venceu os lotes 1 e 7, na Bahia e na Paraíba, respectivamente. Os dois projetos somam cerca de R$ 1,16 bilhão em investimentos e 351 quilômetros de novas linhas, com previsão de 3.132 empregos. Na Bahia, a disputa foi especialmente acirrada: após 150 lances em viva-voz, a companhia superou a Tradetek e garantiu o lote com deságio de 51,21%. Na Paraíba, venceu com desconto de 38,55%.
A Cox Brasil arrematou o lote 6, em Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná. O projeto prevê R$ 480,3 milhões em investimentos e foi contratado com deságio de 53,46%.
EDP amplia atuação em Goiás
A portuguesa EDP arrematou o lote 2, com instalações entre Goiás e Bahia, e prevê investir R$ 316,9 milhões no empreendimento. A proposta estabelece uma RAP de R$ 26,53 milhões, com deságio de 53,29%. O projeto inclui uma linha de transmissão de 65 quilômetros e uma subestação de 300 MVA, conectando Iaciara e Guarani de Goiás (GO) a Correntina (BA). As obras têm prazo de conclusão de 48 meses e devem ampliar o atendimento ao nordeste goiano.
Desde 2017, a EDP investiu mais de R$ 8,5 bilhões em projetos e obras de transmissão em 12 estados. Para o período de 2026 a 2028, a companhia prevê novos aportes de R$ 3,7 bilhões no segmento.
Segundo o diretor executivo de Transmissão da EDP na América do Sul, Daniel Sarmento, a conquista permite aproveitar a experiência acumulada pela companhia na região e ampliar sua presença em áreas onde já mantém operações. “O lote conquistado reforça uma plataforma que a EDP vem construindo há 10 anos e amplia nossa atuação em regiões onde já temos experiência relevante”, afirmou.
As concessões dos oito lotes terão duração de 30 anos. Os prazos para conclusão das obras variam de 42 a 60 meses, contados a partir da assinatura dos contratos. Entre 2023 e 2026, os leilões de transmissão realizados no país mobilizaram R$ 69,64 bilhões em investimentos estimados, segundo o Ministério de Minas e Energia. Atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o montante alcança R$ 77,54 bilhões.