Ameaças de envenenamento da água, assassinatos, atropelamentos e manifestações racistas estão entre os episódios de violência contra povos indígenas denunciados após o segundo turno das eleições presidenciais. Diante dos relatos, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionou órgãos federais, e o Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimentos para investigar os casos.
Em Tacuru (MS), áudios que circularam nas redes sociais revelam ameaças contra indígenas da Aldeia Sassoró. Em uma das gravações, um servidor municipal, cujo nome não foi divulgado, afirma: “Tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água”. Após a repercussão do caso, o funcionário foi afastado pela prefeitura.
- Leia também: Distância e burocracia ameaçam voto indígena
O município abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso. Em nota divulgada nesta quinta-feira (29/10), a administração repudiou manifestações racistas e ameaças contra povos indígenas e afirmou que colaborará com as investigações da Polícia Federal (PF) e do MPF.
O MPF deu prazo de 48 horas para que a prefeitura preste esclarecimentos sobre as gravações e as medidas adotadas para garantir a segurança das comunidades e a continuidade dos serviços essenciais.
- Leia também: Queimadas disparam após 1º turno no Amazonas
Em representação encaminhada a órgãos federais, a Apib relatou outros episódios de violência no estado. “Entre os casos denunciados estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, além de ameaças de morte, manifestações racistas e ameaças de envenenamento da água de comunidades indígenas em Tacuru e Nioaque”, informou a entidade.
O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou as ameaças e defendeu a responsabilização criminal dos envolvidos.
Os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial também anunciaram atuação conjunta para apurar denúncias de violência contra indígenas, quilombolas e povos de terreiro após as eleições. “É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas”, declararam as pastas.