O Amazonas enfrenta uma intensificação dos incêndios florestais em outubro. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que quase 80% dos focos registrados no estado entre os dias 1º e 15 estavam em propriedades rurais privadas inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O aumento das queimadas após o primeiro turno das eleições também levou as autoridades a investigar a possibilidade de incêndios provocados intencionalmente.
O levantamento do Inpe aponta 1.639 focos de incêndio no estado na primeira quinzena de outubro. Na região metropolitana de Manaus, o número de registros em 2026 cresceu quase 110% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Os incêndios começaram a preocupar as autoridades em setembro, mas ganharam intensidade a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. A coincidência temporal é considerada pelas autoridades uma das linhas de apuração para investigar possíveis motivações criminosas, embora os dados sobre a distribuição dos focos, isoladamente, não comprovem a relação entre o aumento do fogo e o calendário eleitoral.
Desde 9 de setembro, o governo do Amazonas proíbe o uso do fogo no manejo do solo. Mesmo com a restrição, os registros aumentaram. As condições de seca na região também dificultam o combate às chamas e favorecem a propagação do fogo, enquanto a fumaça compromete a qualidade do ar em Manaus e em outros municípios.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) investiga a origem dos incêndios e reforçou as ações de fiscalização e combate. Relatos de equipes em campo apontam para a possibilidade de que responsáveis estejam se aproveitando da dificuldade de fiscalização em meio à crise.
Os dados do Inpe mostram que a maior parte dos incêndios ocorreu em áreas já desmatadas. Cerca de 53% dos focos foram registrados em locais desmatados nos últimos três anos, enquanto outros 30% atingiram áreas abertas há mais tempo. Aproximadamente 16% ocorreram em áreas com vegetação nativa.
A seca na Amazônia, intensificada pelos efeitos do fenômeno El Niño, favorece a propagação das chamas, dificulta o combate aos incêndios e agrava a concentração de fumaça no ar.
Resposta à crise
O governo federal reforçou o combate aos incêndios no Amazonas com 13 aeronaves, que lançaram mais de 1,1 milhão de litros de água e extinguiram 337 focos desde 10 de outubro. Uma base da Força Nacional do SUS foi instalada em Manaus para atender pessoas afetadas pela fumaça. A Defesa Civil também aprovou R$ 3,5 milhões para quatro municípios atingidos. As operações contam ainda com as Forças Armadas.
A dimensão da crise evidencia os desafios de enfrentar incêndios em uma região extensa, com áreas de difícil acesso e condições climáticas desfavoráveis. Além da mobilização emergencial, a identificação das causas dos focos e a responsabilização de eventuais infratores são etapas cruciais para reduzir a recorrência das queimadas e seus impactos ambientais e sociais.