A Petrobras se prepara para avançar mais uma etapa na exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. A companhia deve iniciar, em janeiro, a perfuração de três novos poços na região, em uma fase que será importante não apenas para dimensionar a descoberta de óleo, mas também para definir os próximos passos de uma atividade cercada por atenção ambiental.
A informação foi dada pela diretora de Engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, após participar da ROG.e, convenção do setor de petróleo e gás organizada pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). Segundo a executiva, o primeiro poço perfurado na área, o Morpho, deve ser concluído em outubro.
Em setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas. A autorização permite ampliar a investigação sobre a descoberta, mas não significa, por si só, que a produção comercial de petróleo esteja liberada.
Os novos poços — Manga, Crotalus e Morpho Extensão, também chamado de PAD Morpho — são classificados como contingentes. Eles entram em cena conforme os resultados obtidos no poço principal e têm a função de fornecer informações mais precisas sobre o reservatório. A Petrobras pretende utilizá-los para delimitar a descoberta, estimar a quantidade de óleo e avaliar se a produção seria comercialmente viável.
Em agosto, a Petrobras anunciou a identificação de petróleo no Amapá, a cerca de 2.900 metros de profundidade. O resultado reforçou o interesse da companhia em uma área considerada estratégica para a reposição de reservas, especialmente diante da perspectiva de declínio da produção dos campos mais maduros do país.
Limites de exploração
A questão ambiental, nesse cenário, não se resume a decidir entre explorar ou não explorar. O desafio passa também por estabelecer quais são os limites para a atividade, quais salvaguardas devem ser exigidas e em que condições uma eventual produção pode avançar sem ampliar de forma desproporcional os riscos sobre ecossistemas sensíveis.
Por enquanto, a Petrobras ainda está na etapa de investigação. Os próximos poços deverão ajudar a dimensionar as reservas de petróleo na região e a definir as condições ambientais, econômicas e regulatórias para uma eventual produção.