Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) aponta que o fenômeno El Niño iniciado em 2026 tem alta probabilidade de se tornar um dos mais intensos dos últimos 150 anos, com impactos sobre a produção agrícola, a geração de energia, a logística, a saúde pública e o meio ambiente no Brasil. A pesquisa utilizou inteligência artificial e automação para integrar dados e projeções de instituições nacionais e internacionais de monitoramento climático.
Segundo o levantamento, há 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade considerada muito forte — patamar registrado em poucos episódios desde o fim do século XIX.
O trabalho reúne informações de órgãos como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a NASA, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI). A partir da consolidação desses dados, os pesquisadores elaboraram uma análise integrada dos possíveis efeitos do fenômeno no país.
Entre os principais impactos previstos estão o agravamento da seca nas regiões Norte e Nordeste, redução das chuvas e ondas de calor no Centro-Oeste e em parte do Sudeste, além do aumento do volume de chuvas e do risco de enchentes na Região Sul.
Setores da economia
Os pesquisadores avaliam que as mudanças climáticas associadas ao El Niño poderão pressionar diferentes setores da economia. Na agricultura, a estiagem pode reduzir a produtividade de culturas como soja, milho e café em parte do país, enquanto o excesso de chuva no Sul tende a afetar lavouras de arroz e trigo. O cenário também pode comprometer pastagens e elevar o estresse térmico dos rebanhos.
A pesquisa aponta ainda possíveis reflexos sobre a inflação, em razão de eventuais perdas na produção de alimentos, aumento da demanda por energia elétrica durante ondas de calor e maior utilização de usinas termelétricas. Eventos extremos também podem provocar interrupções em rodovias, ferrovias e operações portuárias, afetando o abastecimento e as exportações.
Na área ambiental, o estudo destaca o risco de intensificação das queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, além da possibilidade de uma nova seca severa na Amazônia. Já no Sul, o aumento das precipitações pode elevar a ocorrência de enchentes e deslizamentos de terra.
Os impactos também podem alcançar a saúde pública. Ondas de calor mais intensas tendem a aumentar casos de doenças cardiovasculares e respiratórias, enquanto a fumaça das queimadas pode comprometer a qualidade do ar. A alternância entre períodos secos e chuvas intensas também favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, ampliando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika.
Prevensão de desastres
Embora o estudo apresente projeções sobre o comportamento do El Niño, o foco da pesquisa é o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para apoiar a prevenção e a resposta a desastres naturais. Segundo os autores, a utilização de inteligência artificial busca integrar grandes volumes de dados produzidos por diferentes instituições para subsidiar a tomada de decisão por gestores públicos diante de eventos extremos.
O projeto foi desenvolvido pelos pesquisadores Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, estudantes de Engenharia de Software da Uniasselvi , sob orientação do professor Pedro Sidnei Zanchett, e integra uma linha de pesquisa voltada à criação de sistemas inteligentes de apoio ao gerenciamento de desastres naturais.
O estudo ressalta que a inteligência artificial não substitui os modelos climáticos produzidos pelos centros de pesquisa, mas funciona como ferramenta para consolidar e interpretar informações já disponíveis, permitindo respostas mais rápidas diante de cenários de risco.