Economia circular esbarra na resistência dos consumidores

Pesquisa da CNI revela que 43% dos brasileiros evitam produtos reciclados, apesar do apoio às práticas sustentáveis

Brasileiros valorizam sustentabilidade, mas ainda desconfiam de produtos reciclados. Foto: Shutterstock.

Embora a maioria dos brasileiros apoie iniciativas ligadas à sustentabilidade, a adoção de hábitos de consumo alinhados à economia circular ainda enfrenta barreiras. É o que mostra uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que 43% da população resiste à compra de produtos reciclados, independentemente do preço.

O levantamento indica que 72% dos entrevistados têm uma percepção positiva de empresas que investem em sustentabilidade. No entanto, quando o tema é o consumo de produtos feitos com materiais reciclados ou reaproveitados, parte dos consumidores demonstra desconfiança.

Entre os principais motivos para a resistência estão a preferência por produtos novos, apontada por 34% dos entrevistados, e dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados, mencionadas por 30%.

Confiança

Segundo o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, os resultados mostram que a expansão da economia circular depende não apenas da oferta de produtos sustentáveis, mas também do aumento da confiança dos consumidores.

“Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.

Para a entidade, o cenário reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação sobre economia circular, fortalecer políticas públicas e criar condições para que práticas de reutilização, reciclagem, reparo e remanufatura se tornem mais presentes no cotidiano da população.