Cientistas ambientais e socioambientais divulgaram uma carta aberta em que alertam para o risco de enfraquecimento da política ambiental brasileira em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). O documento critica declarações e propostas do candidato relacionadas às mudanças climáticas, ao licenciamento ambiental e à atuação de órgãos como Ibama, ICMBio e Funai.
Segundo os pesquisadores, as posições do senador são incompatíveis com as evidências científicas sobre a crise climática. “A falta de fiscalização pode levar a mais desmatamento, reduzindo a água para beber, plantar e gerar energia”, afirmam. A carta também relaciona o enfraquecimento das regras ambientais ao risco de desastres, ao aumento dos preços dos alimentos e ao agravamento das desigualdades sociais.
Os cientistas citam declarações de Flávio sobre o aquecimento global. Em entrevista ao Jornal Nacional, em 28 de agosto, o candidato classificou eventos extremos, como ondas de calor, chuvas e secas, como “efeitos cíclicos” e questionou a influência humana sobre esses fenômenos. Para os pesquisadores, a posição contraria as evidências reunidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O documento também manifesta preocupação com a aproximação de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação à exploração de minerais críticos e terras raras. Os autores avaliam que a relação pode comprometer a soberania nacional e favorecer a exportação de recursos naturais sem garantir desenvolvimento tecnológico e benefícios sociais ao Brasil.
A carta compara as propostas do candidato à gestão de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022, período em que, segundo os pesquisadores, houve enfraquecimento da fiscalização ambiental e conflitos com instituições científicas. Os autores destacam que a taxa média anual de desmatamento na Amazônia Legal foi 59,6% superior à dos quatro anos anteriores, conforme dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Quem desconsidera as evidências científicas reduz a capacidade de prevenir riscos e quem paga a conta é a população”, afirmam os cientistas. Ao final, o grupo defende a participação eleitoral e pede votos contra o que classifica como negacionismo climático, em defesa da ciência e da proteção ambiental.