Governo antecipa contratação de térmicas por risco de El Niño

CMSE aprova entrada de cinco usinas termelétricas com 1,8 GW de potência a partir de setembro para reforçar segurança do sistema elétrico

Usina Termelétrica Termomacaé (RJ), da Petrobras, será um dos empreendimentos com contrato antecipado para reforçar o sistema elétrico. Foto: Divulgação.

O risco de impactos do fenômeno El Niño levou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a aprovar medidas para reforçar a segurança do abastecimento de energia no país. Entre as ações está a antecipação do início do suprimento de cinco usinas termelétricas, que vão adicionar 1,8 gigawatts (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro de 2026.

A decisão, tomada na semana passada a partir de recomendações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), busca recompor a capacidade de atendimento da demanda em 2026 e no início de 2027, período em que o sistema poderá enfrentar uma combinação de menor oferta de energia e aumento do consumo.

Segundo o ONS, há uma “elevada probabilidade” de ocorrência do El Niño no segundo semestre de 2026. O fenômeno climático pode reduzir a disponibilidade de geração na Região Norte, onde a matriz elétrica é fortemente influenciada pelas hidrelétricas, além de elevar a carga do sistema devido ao aumento das temperaturas e do consumo de energia.

A antecipação também considera o cenário internacional, marcado por conflitos e incertezas que podem pressionar os preços dos combustíveis utilizados pelas térmicas. De acordo com estudos do Ministério de Minas e Energia (MME), a contratação de usinas sem contratos de fornecimento, conhecidas como merchant, para atender à demanda pode custar “no mínimo, 25%” mais do que a geração contratada nos leilões de reserva de capacidade.

Contratos antecipados 

As usinas que terão os contratos antecipados foram vencedoras de leilões de reserva de capacidade realizados em 2022 e 2026. A medida permitirá a entrada de 1.827,1 megawatts (MW) de potência adicional no sistema.

A antecipação recompõe parte da capacidade que ficou abaixo da necessidade apontada no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026. O certame, realizado em março, indicou a necessidade de contratação de 4,2 GW para atendimento da demanda de ponta, mas contratou apenas 2,2 GW.

Os empreendimentos selecionados foram:

  • Termomacaé (RJ): 817,7 MW — LRCAP 02/2026
  • Manaus I (AM): 148,7 MW — LRCE 2022
  • Termoceará Diesel (CE): 174,7 MW — LRCAP 03/2026
  • Três Lagoas (MS): 234,5 MW — LRCAP 02/2026
  • Araucária (PR): 451,5 MW — LRCAP 02/2026

Em abril, o MME consultou os empreendimentos vencedores dos leilões sobre o interesse e a disponibilidade para antecipar os contratos. Foram avaliadas usinas que somavam cerca de 3.482 MW de capacidade instalada. Desse total, aproximadamente 2.377 MW demonstraram interesse na antecipação.

A escolha final considerou os empreendimentos indicados pelo ONS com base nos estudos de planejamento e aqueles com menor impacto tarifário.

Para o CMSE, a antecipação dos contratos é uma medida preventiva diante dos riscos previstos para o período. O comitê destacou que continuará monitorando as condições de abastecimento e poderá adotar novas ações para garantir o suprimento de energia elétrica no país.

Além da entrada antecipada das térmicas, o colegiado também aprovou ajustes na base de dados dos estudos elétricos e energéticos, incluindo critérios para considerar novos empreendimentos do Ambiente de Contratação Livre (ACL) nos estudos de operação do sistema a partir de 2027.