Cortes de energia renovável crescem 52,7% em 2026

Restrições à geração eólica e solar acumulam prejuízo de R$ 15,5 bilhões, segundo levantamento da Volt Robotics

Usina solar de Janaúba, em Minas Gerais. Foto: Elera Renováveis/Divulgação

Os cortes na geração de energia eólica e solar cresceram 52,7% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, e chegaram a 18,67 terawatts-hora (TWh). O volume equivale a 99% de toda a energia cortada por razões energéticas ao longo do ano passado. Segundo levantamento da consultoria Volt Robotics, os prejuízos acumulados pelos geradores com as restrições operativas somam R$ 15,5 bilhões.

Conhecidos como curtailment, os cortes ocorrem quando usinas são impedidas de gerar ou fornecer toda a energia disponível. Entre as causas estão limitações na transmissão, desequilíbrios entre oferta e demanda e restrições necessárias à segurança operacional do sistema elétrico.

Para o presidente-executivo da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, a classificação dos cortes precisa considerar as condições de operação do sistema. “Não se pode chamar de sobreoferta energética um corte que ocorre em momentos de PLD elevado e com usinas termelétricas ligadas”, afirma. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é uma referência para a comercialização de energia no mercado de curto prazo.

Segundo o executivo, a identificação da causa de cada restrição é necessária para orientar investimentos e evitar que o debate se concentre apenas no ressarcimento financeiro aos geradores.

O estudo divide os cortes em três categorias: por razões energéticas, quando há desequilíbrio entre oferta e demanda; por razões elétricas, relacionadas a limitações na rede de transmissão; e por confiabilidade, quando restrições são aplicadas para preservar a estabilidade do sistema.

A consultoria também destaca a expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD), composta por sistemas de geração próximos ao consumo, como um fator relevante para o excedente de energia. Segundo o levantamento, essa modalidade responde por 52,43% do excedente sistêmico analisado. A geração distribuída, porém, não dispõe dos mesmos mecanismos centralizados de controle remoto aplicados às grandes usinas.

Além da perda de receita, as restrições podem elevar os custos de operação e manutenção dos parques eólicos e solares, devido à paralisação ou à operação em condições menos favoráveis dos equipamentos.

Como medidas para enfrentar o problema, a Volt Robotics propõe uma metodologia transparente e auditável para classificar os cortes, investimentos na expansão da transmissão e mudanças na operação das termelétricas para reduzir inflexibilidades. A consultoria também defende metas anuais de redução das restrições e mecanismos temporários de compensação financeira aos geradores vinculados ao cumprimento desses objetivos.