O desmatamento na Amazônia e no Cerrado atingiu, em 2026, os menores níveis desde o início da série histórica de monitoramento por satélite, em 1988. Na Amazônia, a área desmatada caiu para 3.335 km², uma redução de 41,8% em relação ao ano anterior. No Cerrado, foram registrados 5.516 km² desmatados, queda de 23,8% na comparação anual.
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (16/10), reforçam a possibilidade de conter a perda de vegetação nativa, mas também colocam em evidência o desafio de manter a trajetória de redução até o fim da década.
Na Amazônia, a área desmatada recuou 71,2% em quatro anos. No Cerrado, a redução acumulada no mesmo período foi de 48,4%. Apesar do avanço, a devastação continua atingindo milhares de quilômetros quadrados nos dois biomas, o que mantém a necessidade de fiscalização e de políticas públicas voltadas à proteção ambiental.
O Observatório do Clima atribui os resultados à retomada de medidas de combate aos crimes ambientais pelo governo federal, sob a liderança da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Entre as iniciativas citadas estão os embargos de áreas desmatadas realizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o monitoramento por satélite e a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia.
A comparação entre os governos também é utilizada pelo Observatório para dimensionar a mudança de trajetória. De acordo com os dados divulgados pela entidade, a Amazônia perdeu 24.648 km² de floresta nos quatro anos do atual governo, 46% menos do que os 45.586 km² registrados durante a gestão de Jair Bolsonaro. No período anterior, segundo a organização, o desmatamento aumentou 60% em relação ao mandato precedente.

Impacto sobre o clima e a economia
A redução do desmatamento tem efeitos que vão além da conservação da biodiversidade. A destruição de florestas libera gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Conforme a estimativa apresentada pelo Observatório do Clima, a contenção da devastação nos últimos quatro anos evitou a emissão de pelo menos 2,238 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
A preservação também tem implicações econômicas, especialmente para a agropecuária, atividade relevante nos dois biomas. O Observatório cita uma estimativa de R$ 3,13 trilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2026, alta de 17,67% em relação ao valor de 2022. A entidade utiliza a comparação para destacar que o desempenho do setor pode coexistir com a redução do desmatamento.
O resultado, no entanto, não elimina o desafio de conciliar a expansão das atividades econômicas com a conservação da vegetação nativa. A continuidade da queda depende da manutenção das medidas de fiscalização, monitoramento e financiamento ambiental, segundo a avaliação da organização.
Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, os números demonstram que a proteção das florestas depende de decisões políticas. “Os números divulgados hoje são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, afirma.
O desafio agora é sustentar os resultados e avançar em direção à meta de zerar o desmatamento até 2030. A queda registrada em 2026 indica progresso, mas a consolidação dessa trajetória dependerá da continuidade das políticas ambientais e da capacidade de impedir que a devastação volte a crescer.