Energia vira ativo estratégico da mineração

Estudo aponta que 66% dos executivos veem sustentabilidade e eficiência energética como fatores de competitividade. Brasil pode atrair US$ 76,9 bilhões até 2030

Segurança energética e descarbonização ganham espaço entre as prioridades da mineração na América Latina. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

A transição energética está redefinindo as prioridades da mineração. Mais do que ampliar a produção de minerais estratégicos, o setor vê a segurança no fornecimento de energia e a adoção de fontes renováveis como condições para manter a competitividade. 

É o que mostra o estudo inédito A Nova Equação da Mineração na América Latina: As Fronteiras Invisíveis entre Energia e Operações, da Aggreko, divulgado nesta quinta-feira (2/7). De acordo com o levantamento, 66% dos executivos entrevistados associam o futuro da mineração à sustentabilidade e à eficiência energética.

O levantamento indica que a corrida global por minerais estratégicos, impulsionada pela expansão de veículos elétricos, baterias, semicondutores e redes de transmissão, vem reposicionando a mineração como um dos pilares da transição energética. Nesse contexto, o Brasil aparece entre os principais destinos de investimentos na América Latina, com potencial para atrair US$ 76,9 bilhões (cerca de R$ 390 bilhões) até 2030.

A pesquisa foi realizada com 21 executivos e especialistas de mineradoras da Argentina, Brasil, Chile, Equador, México e Peru. Entre as conclusões, destaca-se a percepção de que garantir energia confiável passou a ser condição para manter a produtividade, reduzir riscos operacionais e viabilizar projetos de expansão.

O estudo também aponta que minerais considerados essenciais para a economia de baixo carbono, como cobre, lítio, níquel, cobalto, grafite e terras raras, ganharam status estratégico diante da crescente demanda global por tecnologias de eletrificação.

No caso brasileiro, a mudança ocorre em um momento de fortalecimento da atividade mineral. Segundo dados reunidos no relatório, o setor exportou US$ 46 bilhões em 2025, respondeu por 55% do superávit da balança comercial e representou aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Além dos chamados minerais críticos, commodities tradicionais como minério de ferro, ouro, nióbio, bauxita e manganês também ampliaram sua importância diante da necessidade de insumos para infraestrutura, tecnologia e geração de energia.

Descarbonização 

Outro ponto destacado é que a descarbonização da mineração deixou de ser apenas uma resposta às exigências ambientais e passou a integrar a estratégia comercial das empresas. A matriz energética utilizada na produção influencia diretamente a pegada de carbono dos minerais, um indicador cada vez mais observado por compradores internacionais e investidores. O relatório ressalta, entretanto, que a velocidade dessa transição dependerá do equilíbrio entre sustentabilidade e viabilidade econômica dos projetos.

“O estudo mostra que a competitividade do setor já não depende apenas da disponibilidade dos recursos minerais, mas também da capacidade de garantir segurança energética, eficiência operacional e resiliência em ambientes cada vez mais complexos. Esses fatores serão determinantes para sustentar o crescimento da mineração e aproveitar as oportunidades criadas pela transição energética”, afirma José Albornoz, gerente regional de Mineração da Aggreko na América Latina.

A análise integra a terceira edição de uma série de estudos da empresa sobre setores estratégicos na região. Após pesquisas voltadas à transição energética (2024) e ao segmento de óleo e gás (2025), o foco agora recai sobre a mineração e os desafios para conciliar crescimento da demanda por minerais críticos, segurança energética e descarbonização das operações.