O Recife foi escolhido como cidade-piloto de um projeto que pretende transformar o sistema de coleta e reciclagem de resíduos no Brasil. A Fundação Ellen MacArthur anunciou, nesta quarta-feira (1º/7), uma parceria com a Prefeitura, o governo federal, a organização Clean Rivers e empresas como Nestlé, PepsiCo, Unilever e Mars para estruturar um novo modelo de gestão de resíduos, com previsão de mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos plurianuais.
A iniciativa terá como base o relatório Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil, que aponta que um sistema mais eficiente de coleta e reciclagem poderia recuperar R$ 14 bilhões por ano em materiais hoje destinados a aterros, além de gerar empregos e fortalecer o trabalho dos cerca de 800 mil catadores do país.
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A diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur, Luisa Santiago, afirmou que o principal desafio é superar o déficit de infraestrutura. “O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem, incluindo bases políticas sólidas, vontade política e uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores”, afirma.
“A lacuna de infraestrutura é uma barreira sistêmica central para a construção de uma economia circular para embalagens. Estamos animados para trabalhar com o Recife e começar um novo modelo de colaboração entre cidades e empresas”, acrescenta Santiago.
Segundo a CEO da Clean Rivers, Deborah Backus, fortalecer a gestão de resíduos é essencial para reduzir a poluição dos rios. “A cada ano, milhões de toneladas de resíduos chegam aos cursos d’água e aos oceanos. O fortalecimento dos sistemas de gestão de resíduos reduz esse vazamento, protegendo os ecossistemas e as comunidades que deles dependem.”
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O plano será elaborado nos próximos seis meses, com expectativa de início das ações em 2027. Atualmente, apenas 1% dos domicílios do Recife conta com coleta seletiva formal, apesar dos avanços recentes na reciclagem de plásticos. O projeto busca criar um modelo que possa ser replicado em outras cidades brasileiras.
Destinação adequada
A capital pernambucana foi escolhida por reunir características semelhantes às de outras cidades brasileiras. Com cerca de 1,6 milhão de habitantes, o município possui extensa rede de rios e canais, o que aumenta o impacto ambiental do descarte inadequado de resíduos.
Apesar de ter registrado crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos em 2024, índice superior à média nacional, apenas 1% dos domicílios conta atualmente com coleta seletiva formal.
O prefeito do Recife, Victor Marques, afirmou que a parceria deve ampliar as políticas já desenvolvidas pelo município para resíduos sólidos e inclusão dos catadores. “O Recife se destacou nos últimos anos no fortalecimento de políticas voltadas à gestão de resíduos sólidos, seja na coleta, seja na destinação, como também, e especialmente, na promoção de assistência, qualificação e apoio aos trabalhadores e trabalhadoras que atuam dentro dessa cadeia”, conta.
“Esse projeto em conjunto com a Fundação Ellen MacArthur vai nos ajudar a avançar ainda mais nesse caminho, não apenas na busca por uma cidade mais limpa e sustentável, mas ainda além, na dimensão humana e do desenvolvimento social”, destaca o prefeito.
O estudo aponta que o Brasil é um dos cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo. Embora a coleta convencional alcance 92,4% da população, mais de um quarto dos resíduos ainda recebe destinação inadequada. Como consequência, cerca de 3,5 milhões de toneladas de plástico acabam anualmente em bueiros, rios e outros ecossistemas aquáticos.