A relação entre mudanças climáticas e saúde ainda aparece de forma limitada nos planos de governo das eleições de 2026. Um levantamento do Instituto Ar identificou referências ao tema em apenas nove dos 34 planos analisados para a Presidência da República e os governos de São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão.
O estudo analisou 2.319 páginas dos documentos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 22 de setembro. A pesquisa procurou quatro temas: mitigação das mudanças climáticas, adaptação a eventos extremos, poluição do ar e impactos do clima na saúde. Em sete planos, não foi encontrada nenhuma referência a esses assuntos.
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Ao todo, foram identificados 815 trechos relacionados aos quatro temas. A adaptação a eventos extremos concentra a maior parte das menções, com 555 trechos, seguida pela mitigação, com 226. Já saúde e poluição do ar aparecem juntas em apenas 34 trechos.
A pesquisa classificou as menções como compromissos, relatos ou citações. Dos 815 trechos, 467 são compromissos assumidos pelos candidatos, mas somente seis apresentam metas com números que permitem verificar seu cumprimento. Nenhuma dessas metas trata especificamente de saúde ou poluição do ar.
O levantamento também buscou termos relacionados à poluição atmosférica. Entre os 192 termos utilizados na pesquisa, 41 não aparecem nenhuma vez nas 2.319 páginas analisadas. É o caso de “material particulado” e “MP2,5”, poluentes associados a efeitos sobre a saúde.
Impactos já afetam a saúde
A baixa presença do tema nos planos contrasta com os impactos já observados da crise climática. Eventos extremos, como enchentes, ondas de calor e queimadas, podem afetar a infraestrutura de saúde, a qualidade da água e do ar e a ocorrência de doenças.
Estudos da Fiocruz relacionam alterações climáticas a mudanças na dinâmica de doenças transmitidas por vetores, como dengue e malária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a exposição à poluição do ar ambiente e doméstica esteja associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano no mundo.
Nos planos analisados pelo Instituto Ar, no entanto, a conexão entre clima e saúde é pouco explorada. A poluição do ar aparece em apenas sete dos 34 documentos.
Diferenças entre os estados
O levantamento também mostra diferenças entre os recortes estaduais. No Rio Grande do Sul, marcado pelas enchentes históricas de 2024, foram encontrados 388 trechos relacionados aos quatro temas, dos quais 325 tratam de adaptação.
Em São Paulo, estado mais populoso do país, foram identificados 4 trechos sobre poluição do ar, apesar da relevância do tema para a saúde urbana.
No Maranhão, que registrou o maior número de focos de incêndio do país em 2025, o estudo encontrou 105 trechos, sendo cinco relacionados à poluição do ar. Na disputa presidencial, foram identificados 209 trechos, com distribuição mais equilibrada entre adaptação, com 103, e mitigação, com 94.
O levantamento não atribui notas, não estabelece ranking e não avalia quais candidaturas apresentam propostas melhores ou piores. O objetivo é registrar o que está nos documentos oficiais. Os trechos, com a página e a transcrição original, estão disponíveis em um painel público do Instituto Ar para consulta.