Um relatório internacional divulgado nesta quarta-feira (27/5) aponta que a Petrobras está entre as empresas petrolíferas nacionais mais bem posicionadas para liderar a transição energética global, desde que amplie investimentos em energias renováveis e reduza a dependência de combustíveis fósseis.
O estudo “Roteiros para transições equitativas de empresas petrolíferas nacionais” foi elaborado pelo pesquisador Adrián Correa-Florez, professor da Universidad Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, e ex-diretor da Unidade de Planejamento de Mineração e Energia do país. No Brasil, participaram da iniciativa o Observatório do Clima e o WWF-Brasil.
A análise avaliou 33 empresas petrolíferas nacionais e classificou a Petrobras no grupo das “potenciais líderes”, ao lado de companhias como Ecopetrol, Equinor e Petronas. Segundo o relatório, essas empresas possuem melhores condições financeiras, governança mais robusta e maior capacidade de adaptação à descarbonização, embora ainda mantenham forte concentração em combustíveis fósseis.
“Ser uma líder em potencial não significa necessariamente que a empresa já está fazendo muito mais do que as outras pela transição, mas sim que suas condições de operação e o cenário econômico e político em seus países são mais favoráveis”, afirmou Correa-Florez.
O documento recomenda que a Petrobras deixe de investir em novos projetos fósseis e redirecione recursos para energias renováveis, eletrificação e planos de transição climática. A discussão ocorre em meio ao avanço dos planos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, região considerada uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do país e alvo de divergências entre setores ambientais e o governo federal.
“A Petrobras tem uma oportunidade enorme este ano de se abrir ao debate com a sociedade e definir um plano de transição consistente. Não faz sentido operar na lógica do fim da feira, tentando aproveitar os últimos suspiros de um modelo antigo”, disse Suely Araújo, especialista em políticas públicas do Observatório do Clima.
O relatório também destaca que o debate internacional sobre transição energética ganhou força após a Primeira Conferência Internacional para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, na Colômbia, com participação de governos de mais de 50 países.
“É importante que conversas de alto nível sobre a transição energética passem a incorporar o debate sobre o papel das empresas petrolíferas nacionais na descarbonização da economia”, afirmou Ricardo Fujii, especialista em transição energética do WWF-Brasil.
Segundo o estudo, as empresas petrolíferas nacionais controlam 55% da produção global de petróleo e gás e dois terços das reservas conhecidas, mas ainda não possuem planos viáveis de transição energética.