Representantes do setor de energias renováveis divulgaram nesta terça-feira (27/5) uma carta direcionada aos candidatos à Presidência da República cobrando compromissos concretos para acelerar a transição energética no Brasil.
No documento, liderado pela Global Renewables Alliance (GRA), as entidades alertam que o país pode perder espaço na corrida global por energia limpa caso o próximo governo não avance em medidas para ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura elétrica e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
A carta afirma que o Brasil reúne condições para liderar a transição energética mundial, mas enfrenta gargalos que travam novos investimentos, como limitações na transmissão de energia, ausência de sinais econômicos que incentivem eficiência energética e condições desfavoráveis em leilões do setor.
“As energias renováveis são o escudo estratégico que protege economias nacionais de choques externos e reduz a exposição a mercados que o Brasil não controla”, diz o texto. Segundo as entidades, a volatilidade dos combustíveis fósseis ameaça a segurança energética e os preços, enquanto as fontes renováveis fortalecem a soberania nacional.
O documento também destaca que, em 2025, o Brasil atraiu cerca de US$ 38 bilhões em investimentos em energia renovável e manteve mais de 90% da matriz elétrica baseada em fontes renováveis. Apesar disso, o setor avalia que houve desaceleração no ritmo de novos aportes.
Subsídios aos fósseis
As entidades criticam ainda o volume de subsídios destinado aos combustíveis fósseis. Segundo a carta, em 2024, cerca de R$ 47 bilhões foram direcionados ao setor fóssil, enquanto as fontes renováveis receberam R$ 18,65 bilhões. “Para cada R$ 1 investido em fontes limpas, aproximadamente R$ 2,52 ainda são direcionados aos fósseis”, aponta a carta.
Entre as propostas apresentadas ao próximo governo estão a criação de um “Mapa do Caminho” para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, a ampliação da infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia, além do fortalecimento da indústria de hidrogênio verde e do mercado de carbono.
“O próximo ciclo de governo determinará se o Brasil consolida sua posição como protagonista global da transição energética ou recua diante de países concorrentes que avançam sem hesitação”, conclui o documento.