Apesar da desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 frente ao primeiro trimestre de 2026, a alta de 0,5% da atividade, entre abril e junho, está entre os cinco melhores desempenhos globais, graças à expansão fiscal do governo, segundo levantamento da Austin Rating junto a 64 economias, divulgado nesta terça-feira (1º/09).
O crescimento de 0,5% no PIB brasileiro na margem foi o quinto maior na lista, atrás de Irlanda (1%), Indonésia (0,9%), Angola (0,7%), e Malásia (0,6%), de acordo com os dados da agência brasileira de classificação de risco. O desempenho do Brasil ainda ficou acima média geral, de 0,2%, e dos países emergentes do Brics — grupo inicialmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, de 0,3%.
“Todas as economias foram fortemente afetadas pelo conflito no Oriente Médio e o Brasil se destacou porque a gente continua com a expansão fiscal. O crescimento econômico reflete o consumo da administração pública que avançou 0,4% no trimestre”, explicou o economista-chefe da Austin, Alex Agostini, em entrevista ao Blog. Ele previu alta de 0,5% na comparação com o trimestre anterior, não foi surpresa, mas confirma o processo de desaceleração que deverá ser mais forte no segundo semestre do ano.
“Nossa equipe tinha exatamente a previsão de 0,5% de alta no segundo trimestre na margem, e estava com 1,8%m na comparação anual, mas veio 2%. Para nós, esse resultado está dentro da normalidade, inclusive, temos uma previsão de 1,7% de crescimento do PIB para este ano desde o fim do ano passado, enquanto o mercado já teve 2,5% e agora, está 1,9%”, comentou Agostini, citando o boletim Focus do Banco Central. Ele manteve em 1,7% a previsão de crescimento do PIB deste ano, e em 1,5% para o de 2027.
Na avaliação de Agostini, o resultado do PIB do segundo trimestre também mostra a agropecuária “ainda carregando a atividade nas costas”, porque indústria e serviços estão começando a sentir os efeitos dos juros restritivos, apesar de o Banco Central ter iniciado o corte na taxa básica da economia (Selic) em março.
Atualmente, os juros básicos estão em 14% ao ano, mas os juros reais – descontada a inflação – são os maiores do mundo. Logo, esse patamar ainda restritivo da taxa Selic vem surtindo efeito no consumo das famílias, que foi negativo no trimestre de maio a junho. “Esse cenário de juros restritivos está impactando o varejo e várias empresas que entraram em recuperação judicial”, alertou Agostini, que prevê piora no segundo semestre deste ano.
“Houve um aumento muito forte do endividamento das famílias e o consumo das famílias caiu no segundo trimestre. Então, isso é um sinal de fraqueza muito forte na atividade, porque o consumo das famílias representa 2/3 do PIB”, acrescentou Agostini. Pelas projeções dele, o PIB deve ficar estagnado no terceiro trimestre, no último trimestre do ano, “pode apresentar algum crescimento”, porque o governo também está perdendo fôlego na expansão fiscal. “Não tem muito mais espaço para isso”, frisou.
