O Judiciário e o Ministério Público são os alvos preferidos do debate sobre supersalários e penduricalhos no funcionalismo, em comentários das redes sociais. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Anatomia de um Debate: Supersalários e Penduricalhos nas Redes”, realizada pela Redes Cordiais e pela República.org, analisando mais de 11,2 mil publicações nas principais comunidades virtuais, como Instagram, YouTube e TikTok.
Conforme os dados do levantamento, referências ao Supremo Tribunal Federal (STF), à magistratura e ao Ministério Público estão presentes em 30% a 52% das publicações do Instagram, desde 2016, e chegam a 75% em 2026, por exemplo. No You Tube, o Supremo está em 38% dos vídeos da coleta e o Congresso, segundo alvo institucional, está em 25%.
O contexto financeiro, segundo o estudo, ajuda a explicar esse resultado, pois uma outra pesquisa da Republica, divulgada no ano passado, revelando que cerca de R$ 20 bilhões os gastos com remunerações acima do teto serviço público brasileiro, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Segundo o levantamento, R$11,5 bilhões estão concentrados na magistratura e R$ 3,2 bilhões no Ministério Público.
De acordo com Pesquisa Genial/Quaest, de março deste ano, 44% dos eleitores serem a favor da suspensão dos penduricalhos no funcionalismo. Mesmo em ano eleitoral, nenhum candidato à Presidência da República tem coragem de prometer acabar com essa farra imoral.
Além disso, no Supremo, recentemente, vez de suspender totalmente mantendo a decisão monocrática do ministro Flavio Dino, que havia suspendido essas gratificações excessivas, o plenário da Corte aprovou um limite de até 35% para os penduricalhos acima do teto do funcionalismo, atualmente, de R$ 46,3 mil mensais, o que permite um novo teto, de R$ 62,2 mil.
Ondas de mobilização
A pesquisa também identificou duas ondas de mobilização nas redes sociais. A primeira, iniciada em 2021, está associada à Reforma Administrativa e ao termo supersalário. A segunda ganhou força no fim de 2025 e dominou 2026, quando penduricalho passou a prevalecer. Em 2021, o termo supersalário apareceu em 646 posts do Instagram, contra 338 de penduricalho. Neste ano, foram 272 e 898, respectivamente. As três bases da pesquisa foram coletadas de forma independente, utilizando as ferramentas Meta Content Library, YouTube Data Tools e Zeeschuimer. O Instagram cobre de 2016 a 2026; o YouTube, junho de 2025 a junho de 2026; e o TikTok não dispõe de data das publicações.
Segundo a pesquisa, a linguagem também revela a posição de quem participa do debate. Os termos “supersalário”, “privilégio” e “penduricalho” são termos que predominam entre partidos e políticos. Nos órgãos públicos, “verba indenizatória” aparece em 52% das publicações, enquanto juristas utilizam “direito” em 41%. O servidor comum quase não emprega o vocabulário central da discussão.
De acordo com o estudo, o servidor comum quase não emprega o vocabulário central do debate. Além disso, existe um consenso superficial entre esquerda e direita na crítica aos supersalários, que se desfaz na definição dos alvos e das estratégias. O relatório ainda mostrou que, quando os servidores comuns entram na discussão, o foco muda: a questão deixa de ser apenas o teto dos ministros e passa a evidenciar a desigualdade interna do funcionalismo, contrapondo os salários da base aos acréscimos recebidos no topo.