Brasília tem a maior média salarial do setor de TI do país, segundo Brasscom

Levantamento revela que média salarial de trabalhador formal de TI em Brasília, de R$ 6,6 mil, é a maior do país e 12,5% acima da nacional, de R$ 5,8 mil

O Distrito Federal é a unidade federativa do Brasil com a maior média salarial formal do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), de acordo com levantamento feito pela Associação das Empresas de TIC e Tecnologias Digitais (Brasscom), divulgado, nesta terça-feira (18/8), e que o Blog teve acesso com exclusividade.

Conforme dados do Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, a capital federal apresenta o maior salário médio formal do setor de TIC entre as unidades federativas do país, impulsionado pela forte demanda do setor público e órgãos federais, de R$ 6.622 mensais, dado 12,5% acima da média nacional de R$ 5.888.

O Centro-Oeste concentra 62.782 mil empregos formais do setor, enquanto Brasília responde por 56% das vagas da região e a terceira maior média salarial do país, de R$ 4.855. Nos últimos dois anos, entre 2023 e 2025, a região apresentou um crescimento no número de profissionais de TIC maior que o da região Sudeste, com expansão de 3,2% ante 2% no Sudeste, onde há a maior média salarial regional. 

O Distrito Federal responde por mais de 56% de todos os empregos de TIC do Centro-Oeste, somando 35.346 vínculos, e registra a maior média salarial do setor fora do eixo Rio-São Paulo. 

O mercado regional é marcado pela presença do setor público federal em Brasília e pela adoção de soluções tecnológicas em áreas como agronegócio, logística e serviços. A demanda por profissionais destaca-se pelas áreas segurança cibernética, inteligência artificial e governança digital, especialmente em atividades relacionadas ao setor público. 

Mapeamento nacional

O estudo mapeou 942.879 profissionais com carteira assinada da área de TIC no país em 2025. O volume total é 19,9 mil superior ao registrado em 2024, com média salarial nacional de R$ 5.888, dado 6,9% superior ao registrado no ano passado. Quase 80% desses trabalhadores – 78,6% – estão concentrados em seis estados brasileiros e 558,9 mil, apenas no Sudeste.  

São Paulo é o estado com maior número de empregados CLT do setor, 420.996, seguido por Minas Gerais, com 83.854, e por Rio de Janeiro, com 71.277. Contudo, a região Nordeste apresentou a maior taxa de crescimento regional, entre 2024 e 2025, de 4,1%. Enquanto isso, o Sudeste teve a menor, de 1,8%, no mesmo período. O Centro-Oeste registrou crescimento regional de 2,6% entre 2024 e 2025, e, na comparação desde 2020, o avanço foi de 7,2%.

Das cinco ocupações do setor com maior destaque, a de analista de desenvolvimento de sistemas, registrou aumento de 26,8% na média salarial, para R$ 8.337, seguida por analista de suporte computacional, com aumento no rendimento médio, de 12,2%, para R$ 3.990.

Demais estados da região

Nos demais estados do Centro-Oeste, Goiás posiciona-se como o segundo maior mercado regional, com 14.253 empregos formais e média salarial de R$ 3.187. Goiânia e cidades com presença industrial estão entre os pólos de destaque no estado.  O Mato Grosso reúne 7.794 empregos formais em TIC, média salarial de R$ 3.771 e crescimento de 2,5% no período analisado pelo relatório. O estado apresenta oportunidades relacionadas à adoção de tecnologias para automação e gestão no agronegócio. Por fim, o Mato Grosso do Sul contabiliza 5.391 empregos formais de TIC, com remuneração média de R$ 2.705. 

“O Centro-Oeste combina características distintas e complementares para o setor de tecnologia. Brasília concentra atividades relacionadas à cibersegurança, tecnologia da informação governamental e transformação digital, enquanto Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ampliam a adoção de soluções voltadas ao agronegócio, à logística e à inteligência de mercado. Essa diversidade contribui para a qualificação da força de trabalho e para o avanço do mercado de TIC na região”, comentou Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação na Brasscom. 

A Brasscom agrega mais de 100 empresas associadas e registra cerca de 2,1 milhões de empregos totais no setor. Conforme dados do estudo, o setor de TIC atravessa uma transformação estrutural nas relações de trabalho, com crescimento das contratações não celetistas: especialmente Pessoa Jurídica (PJs) e Microempreendedor Individuais (MEIs), que já superam os vínculos formais CLT no que tange ao crescimento do número total de profissionais. 

Entre 2023 e 2025, trabalhadores informais tiveram um crescimento de 3,3%, enquanto cresceram 8,9% no mesmo período, indicando maior diversificação das modalidades de emprego, de acordo com o levantamento. 

O estudo ainda destaca os investimentos em tecnologias digitais no Brasil seguem trajetória robusta e estratégica, consolidando a transformação digital como motor de crescimento econômico, tanto que o Relatório Setorial de 2025 projeta que esses investimentos alcancem R$ 774 bilhões até 2028, impulsionados pela necessidade de modernização e competitividade em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial e Big Data & Analytics.