O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez novo alerta para os impactos da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro e que teve mais uma tentativa frustrada de trégua neste fim de semana, no Paquistão. De acordo com o o organismo multilateral, a economia global “está ameaçada de sair do seu curso”, podendo desacelerar até 2%, neste ano, a depender do tempo que perdurar o conflito.
Conforme dados do Panorama Econômico Global (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (14/4), o Fundo piorou as projeções para o crescimento mundial e do Brasil, que continuará crescendo menos do que a média da América Latina. O Fundo reduziu de 3,3% para 3,1% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global deste ano que havia sido atualizada em janeiro, retornando para a projeção anterior, de outubro de 2025.
Com isso, o ritmo de crescimento recente deve estabilizar-se abaixo da média histórica entre 2000 a 2019, de 3,7%. As novas projeções consideram a inflação global de 4,4%, neste ano, passando para 3,7%, em 2027, representando revisões para cima em ambos os anos.
De acordo com o Fundo, o quadro pode piorar se a guerra no Oriente Médio se estender e os preços do petróleo continuarem elevados. “Em um cenário adverso, com aumentos maiores e mais persistentes nos preços da energia, o crescimento global desaceleraria ainda mais, para 2,5%, em 2026, e a inflação atingiria 5,4%”, informou o documento. O Fundo ainda previu um cenário ainda mais severo, com danos à infraestrutura energética na região do conflito. O crescimento global cairia para 2% neste ano, enquanto a inflação geral ficaria pouco acima de 6%, em 2027. “O impacto sobre as economias emergentes e em desenvolvimento seria quase o dobro do impacto sobre as economias avançadas”, alertou o relatório.
“A economia mundial enfrenta mais um desafio difícil. E embora possa se tornar mais multipolar, não precisa se tornar mais fragmentada. Além das ações que os países podem tomar individualmente, devemos continuar buscando maneiras de melhorar a cooperação global. Com as políticas corretas, incluindo uma rápida cessação das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, os danos poderiam ser limitados”, destacou Pierre-Olivier Gourinchas, conselheiro econômico do FMI, em artigo divulgado junto com o WEO. Ele destacou que organizações financeiras internacionais, como o FMI, nasceram de uma visão, forjada após a guerra e a grande destruição, para promover a cooperação e a integração econômica e financeira, em benefício de todos. “Mais do que nunca, esses princípios são necessários para preservar a prosperidade global”, frisou.
Novas projeções da América Latina e do Brasil
Na América Latina e no Caribe, pelas projeções do FMI, a expansão da atividade econômica deverá permanecer estável, em 2,3%, em 2026, e avançar para 2,7% no próximo ano. “O impacto do conflito no Oriente Médio dentro da região é heterogêneo, com as economias menores sendo afetadas de forma mais negativa”, destacou o relatório que informa que a revisão para baixo de 2026 reflete, em grande parte, “as perturbações causadas pelo conflito no Oriente Médio, parcialmente compensadas pelo efeito residual de dados recentes positivos e pela redução das tarifas alfandegárias”.
O Fundo manteve a previsão de crescimento do PIB brasilerio em 1,9%, na comparação com a de outubro de 2025, mas elevou em 0,3 ponto percentual com relação à estimativa de janeiro, de 1,6%. Para 2027, o órgão reduziu de 2,3% para 2%, a expectativa de expansão do PIB brasileiro, na comparação com janeiro.
Na avaliação do organismo multilateral, a guerra no Oriente Médio deverá ter “um pequeno efeito líquido positivo no Brasil em 2026″, como resultado do país ser um exportador líquido de energia, “impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual 2027”. Contudo, a desaceleração da demanda global, o aumento dos custos de insumos (incluindo fertilizantes) e as condições financeiras mais restritivas deverão dominar, “reduzindo o crescimento em aproximadamente 0,3 ponto percentual, em comparação com a projeção de janeiro”.
Emergentes em desaceleração
O FMI também reduziu as previsões de crescimento dos países emergentes neste ano, de 4,1% para 3,9% a previsão de crescimento dos países emergentes e elevou de 4,1% para 4,1% a estimativa para o avanço do PIB, em 2027, confirmando o processo de desaceleração em relação a 2025, quando os países em desenvolvimento registraram crescimento médio de 4,4%.
O Fundo ainda elevou em 0,1 ponto percentual as estimativas de crescimento da Índia, neste ano e no próximo, para 6,5%. E, para a China, revisou a previsão de alta do PIB deste ano de 4,5% para 4,4% e manteve em 4,0% para 2027.