A arrecadação de tributos federais em abril registrou aumento real – descontada a inflação – de 7,82% em abril, para R$ 278,8 bilhões, o maior volume registrado para o quarto mês do ano desde o início da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995.
Em termos nominais, a variação foi de 12,02%, lembrou Claudemir Malaquias, chefe de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, ao comentar sobre os dados de abril, nesta quinta-feira (21/5). Segundo ele, as receitas federais já ultrapassam R$ 1 trilhão no acumulado do quadrimestre.
Os tributos que mais com maiores taxas de crescimento no mês passado foram o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o Imposto de Renda Retido na Fonte – Rendimento de Capital, que apresentaram aumento de 25,44% e de 30,26%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2025, somando R$ 13,3 bilhões e R$ 8 bilhões. Contudo o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição sobre Lucro Líquido (IRPJ-CSLL) apresentaram a maior variação em volume na comparação, de R$ 4,6 bilhões, para R$ 65,9 bilhões – alta de 7,72%, descontada a inflação.
No acumulado do ano, o Fisco contabilizou o recolhimento de R$ 1.010,7 trilhão, dado 6,02% acima dos R$ 914,6 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Com dados atualizados, esse montante chega a R$ 1.068 trilhão, também o maior da série histórica para o período.
A receita previdenciária, segunda maior fonte de arrecadação do Fisco, apresentou crescimento de 4,81%, em abril, totalizando R$ 62,7 bilhões, e, de acordo com Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, esse aumento no recolhimento ocorreu devido ao desempenho da massa salarial, que avançou 7,90% em março de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. “No geral, quase todos os tributos apresentam crescimento em relação ao ano passado”, disse.
De acordo com Malaquias, os comportamento dos principais indicadores econômicos; o crescimento da atividade econômica, que impactou positivamente o desempenho das empresas que declaram pelo lucro presumido; o melhor desempenho da arrecadação previdenciária; e o crescimento da massa salarial; foram alguns dos principais fatores para o bom desempenho da arrecadação federal.
Contudo, a arrecadação do setor de extração de petróleo chama muito a atenção, devido ao salto na receita no acumulado do ano de 264%, para R$ 40,3 bilhões, o que contribuiu bastante para o resultado recorde, em meio à disparada nos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. Segundo Malaquias, houve também uma mudança no código de atividade de empresas que estavam em outra atividade, refino, e houve mudança no cadastro. “Ainda não fizemos uma análise aprofundada sobre os impactos do aumento dos preços do petróleo na arrecadação”, afirmou.
De acordo com o técnico, no acumulado do ano, a arrecadação de dividendos que antes não eram tributados somou R$ 885 milhões, incluindo os brasileiros que vivem no exterior, o que significa um valor abaixo das estimativas iniciais do governo, de R$ 20 bilhões neste ano. “A arrecadação de dividendos decorre de um ato voluntário das empresas de distribuir aos seus acionistas e ao longo do ano, foi permitido a distribuição com isenção e, depois, foi estendido o prazo até 31 de janeiro. E, portanto, muitas empresas estão valendo dessa prerrogativa para a distribuição com isenção ainda, mas ainda não fizemos a análise”, disse Malaquias. “Precisamos aguardar mais tempo para verificar”, afirmou ele, admitindo que houve antecipação no pagamento com isenção.