Sinicon lança cartilha com propostas para evitar apagão de engenheiros

Sindicato faz alerta sobre o deficit crescente de engenheiros no país, que pode chegar a 1 milhão na próxima década

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) lançou, nesta quarta-feira (20/5), a cartilha Infraestrutura, produtividade e capital humano: a formação como alavanca para o crescimento sustentado 2026, com um diagnóstico sobre a escassez de engenheiros no país e propostas de um conjunto de ações melhorar a qualidade da infraestrutura nacional e, assim, evitar um apagão de engenheiros no país — pois há deficit crescente desse profissional no país e que pode chegar a 1 milhão na próxima década.

No documento de 16 páginas, o sindicato propõe para o governo “estruturar políticas integradas de educação, trabalho e infraestrutura” e, para o setor privado “ampliar investimentos em formação e qualificação”. Além disso, informa que caberá à academia “alinhar currículos às demandas do mercado”.

A falta de avanço na infraestrutura brasileira é reflexo de um problema estrutural cada vez mais evidente: a falta de mão de obra qualificada, de acordo com especialistas. Os dados consolidados pelo setor indicam que a escassez de engenheiros e trabalhadores técnicos já compromete a execução de obras e coloca em risco o crescimento sustentável do país, que pode sofrer uma espécie de apagão de engenheiros.

Deficit estrutural

Atualmente, o Brasil registra um deficit de aproximadamente 75 mil engenheiros, conforme estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). E a tendência, segundo especialistas, é de agravamento. Conforme estimativas do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), esse deficit pode ultrapassar 500 mil, até 2030, e alcançar 1 milhão de profissionais ao longo da década.

“O Brasil corre o risco de investir em infraestrutura sem ter quem execute essas obras com a qualidade e a velocidade necessárias. Esse é um problema estrutural que precisa ser enfrentado com senso de urgência e visão de longo prazo”, disse o o diretor-executivo do Sinicon, Humberto Rangel, em nota da entidade.

De acordo com a cartilha, “o enfrentamento da escassez de mão de obra exige um esforço coordenado entre governo, setor produtivo e instituições de ensino. É fundamental estabelecer um pacto nacional pela formação e valorização da engenharia e da mão de obra da construção pesada”.

“O Brasil tem diante de si uma oportunidade única de retomar o protagonismo em infraestrutura. No entanto, essa trajetória depende diretamente da capacidade de formar, atrair e reter profissionais. A superação da escassez de mão de obra não é apenas uma necessidade setorial, mas uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável do país”, destacou a cartilha.

Em nota, a entidade destacou outro indicador preocupante que é a comparação internacional. O Brasil forma entre três e quatro engenheiros para cada 10 mil habitantes, enquanto países como Alemanha, Japão e Estados Unidos formam cerca de 14 na mesma proporção. Em outra métrica, são aproximadamente 5,6 engenheiros por 100 mil habitantes no Brasil, contra cerca de 25 em economias avançadas.

Além da cartilha, o sindicato também lançou um vídeo voltado a estudantes do ensino médio, com o objetivo de despertar o interesse pela engenharia e pelas profissões ligadas à infraestrutura. “A iniciativa busca aproximar os jovens do setor, reduzir barreiras de percepção sobre a carreira e destacar o papel estratégico da engenharia no desenvolvimento do país”, destacou a entidade, que reforçou a necessidade da superação desse desafio. “Sem capital humano qualificado, o país corre o risco de perder uma janela histórica de crescimento baseada na expansão da infraestrutura”, acrescentou a nota.