BC: dívida pública bruta acelera em março e atinge 80,1% do PIB

Conforme dados do Banco Central, dívida pública bruta chega a 80,1% do PIB, patamar próximo ao da pandemia da covid-19, e setor público tem pior resultado fiscal de março da história

Prédio-sede do Banco Central Crédito: Leonardo Sá/Agência Senado

O Banco Central divulgou, nesta sexta-feira (30/4), dados da dívida pública bruta do governo geral (DBGG), que segue crescendo e acelerou de 79,2%, em fevereiro, para 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB), em março, somando R$ 10,35 trilhões, acima da mediana das projeções do mercado, de 79,6% do PIB. E, com isso, o endividamento do país volta a ficar próximo de patamares de 2020, ano da pandemia da covid-19, sem que houvesse um novo vírus para justificar um aumento de gastos semelhante.

Esses dados são da metodologia do Banco Central, que são diferentes da considerada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que contabiliza os títulos do Tesouro Nacional depositados na conta do BC. Nesse cálculo, a dívida pública bruta recuou de 94% do PIB para 92% do PIB, entre fevereiro e março, somando R$ 11,9 trilhões — reflexo da queda de R$ 1,9 trilhão para R$ 1,5 trilhão do volume de títulos públicos na carteira do Banco Central e não uma economia do setor público de que estaria gastando menos do que arrecada, pelo contrário.

Os dados do Banco Central mostram que o setor público consolidado, que reúne as contas da União, dos estados, dos municípios e das estatais federais, registraram o pior março da série histórica. No conceito do resultado primário — que isola receitas e despesas não financeiras, excluindo a conta de juros nominais apropriados sobre a dívida — o setor público consolidado gastou R$ 80,7 bilhões a mais do que arrecadou.  E, no acumulado em 12 meses, o rombo fiscal somou R$ 137,1 bilhões, o equivalente a 1,06% do PIB, sendo que o governo central teve um deficit primário de R$ 128,1 bilhões (0,99% do PIB), no mesmo período. Vale lembrar que a meta fiscal para este ano prevê um superavit primário de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, com piso de deficit zero para as contas públicas.  

Enquanto isso, a conta de juros nominais apropriados, que é a que mais tem pesado na dívida pública, somou R$ 118,9 bilhões, no terceiro mês do ano, e, no acumulado em 12 meses até março, chegou a R$ 1,080 trilhões – o equivalente a 8,35% do PIB — dado acima dos R$ 935 bilhões ou 7,77% do PIB contabilizados no mesmo período até março de 2025 –, refletindo o peso dos juros mais elevados.

Com isso, o deficit nominal do mês chegou a R$ 199,6 bilhões, acima da mediana das projeções de mercado, de R$ 148 bilhões. No acumulado em 12 meses até março, o deficit nominal, que resume a necessidade de financiamento do país, somou R$ 1,217 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB.