O dia começou agitado com a expectativa de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, em mais uma “super quarta” do mercado financeiro, que está bastante volátil, com disparada nos preços do petróleo e queda na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) no atual intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, o mandato do atual presidente da instituição, Jerome Powell, se aproxima do fim em 15 de maio. O substituto dele indicado pela Casa Branca, Kevin Walsh, deve ter sua aprovação votada ainda hoje no Senado norte-americano. Powell, porém, ainda possui mandato como conselheiro do Fed até janeiro de 2028.
Enquanto isso, aqui no Brasil, o mercado aguarda um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica da economia (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), para 14,50% ao ano. A decisão do Copom não será fácil diante da nova escalada dos preços do petróleo em meio às tensões permanentes no Oriente Médio. Não à toa, o Índice Bovespa, principal indicador da B3, operava com queda de 1,4% por volta das 13h, aos 185,9 mil pontos
Após atingir novo pico ontem com o anúncio da Arábia Saudita sair do cartel da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), o barril do petróleo tipo Brent, referência no mercado internacional e da Petrobras, sendo negociado próximo de US$ 117 hoje.
“Esse movimento reflete a divulgação do relatório semanal do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que apontou uma redução significativa nos estoques de petróleo e derivados, além de um volume recorde de exportações norte-americanas na série histórica”, destacou Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da Stonex.
Segundo ele, o aumento das exportações indica uma maior demanda por parte de consumidores menos tradicionais do petróleo dos Estados Unidos, especialmente países asiáticos, que vêm enfrentando uma queda acentuada na oferta da commodity em meio à suspensão de fluxos pelo Golfo Pérsico. “Esse cenário — de exportações elevadas tanto de petróleo quanto de derivados — contribui para um balanço mais apertado também nos Estados Unidos, que até então apresentavam uma situação mais confortável. Como resultado, os preços voltam a se aproximar do patamar de US$ 120 por barril, movimento que também pressiona os preços de derivados, como diesel e gasolina. Esse ajuste reflete um ambiente global mais restrito de oferta e uma maior clareza sobre os impactos da guerra, agora também repercutindo de forma mais evidente no mercado norte-americano”.
No Brasil, a decisão do Copom será anunciada após às 18h30 e não deve impactar diretamente o mercado cambial hoje, por ocorrer após o encerramento das negociações, na avaliação de Cordeiro. Para ele, além do corte de 0,25 ponto percentual na Selic, o Comitê deverá dar uma sinalização de pausa para avaliação dos riscos inflacionários ligados ao impasse diplomático no Oriente Médio e à restrição da oferta global de petróleo.