O Banco Central do Brasil decretou, nesta quinta-feira (16/4), a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros (Creditag).
Trata-se de cooperativa de crédito independente de pequeno porte, enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial, de acordo com comunicado da autoridade monetária. Em dezembro de 2025, a Creditag detinha aproximadamente 0,0000226% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo grave comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, inclusive sujeitando a risco anormal os seus credores quirografários” , destacou a nota. O Banco Central acrescentou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos ex-administradores da cooperativa objeto da liquidação decretada”, .
Sediada em Mineiros, em Goiás, a cooperativa era investigada por atuar como uma peça operacional dentro do esquema de fraudes do banqueiro Daniel Vorcardo, dono do Banco Master na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que resultou, hoje, na prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em Brasília, pela PF.
A Creditag era utilizada para liquidar transações e realizar o processamento de pagamentos (PIX) para empresas e fintechs que, de acordo com as investigações, estavam ligadas ocultamente a Vorcaro, como a Entrepay. A cooperativa ainda passou a ser monitorada após o BC e a PF identificarem que a instituição facilitava o fluxo de capitais do Master para outras estruturas, ajudando a manter o que os investigadores chamaram de “carrossel financeiro” para inflar o patrimônio do banco.