O comércio de carros usados (seminovos e usados) bateu um recorde no ano passado. Foram 18,5 milhões de unidades mudando de dono – algo só comparado aos números registrados em 2011. Motivos? Primeiro, e talvez o mais importante, é que o preço dos veículos 0km dispararam, ficando fora do alcance de muitos consumidores. Em suma: o consumidor não deixou de comprar carro, apenas mudou de segmento. Segundo, os modelos usados (seminovos, com até três anos de uso, e usados, quatro anos em diante) ficaram relativamente mais baratos – ou até com preços estáveis. Isso aumentou o custo-benefício deles. Terceiro: o crédito brasileiro, caro para o 0km, ficou mais acessível para os veículos usados. E, por fim, foi registrada uma maior oferta de seminovos e usados no mercado, equilibrando o preço e ampliando as opções. Por isso, ganhou destaque este ano o tradicional guia Melhor Revenda, versão 2026, que avaliou 73 veículos em 22 categorias, entre automóveis e comerciais leves, com a menor desvalorização em 12 meses.
O trabalho foi realizado pela Quatro Rodas em conjunto com a Suiv, empresa líder em Big Data no setor automotivo, e teve como os preços de tabela Fipe dos 0km e os valores pagos pelo mercado pelos mesmos carros seminovos um ano depois. As referências foram janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Ficaram de fora, segundo a Quatro Rodas, os modelos recém-lançados que não completaram um ano de mercado, os que ganharam nova geração no período e aqueles que saíram de linha – como VW Tera, Honda WR-V, Renault Boreal, Nissan Kait, Toyota Yaris e VW Taos, por exemplo. Confira quem se deu bem na pesquisa:

Subcompacto – Ganhou o Renault Kwid – que, para isso, teve que desbancar o Fiat Mobi (vencedor da categoria em 2024 e 2025). Ambos disputam o posto de carro mais barato do Brasil. A versão Outsider do Kwid teve depreciação de 9%, contra a média de 12% no subsegmento.
Compacto – O Peugeot 208 com motor turbo 200, emprestado da Fiat, foi o vencedor, com 4%.
Hatch premium – Ganhou Audi A3 Sportback, que apresentou valorização de apenas 4%.
Sedã compacto – Pela terceira vez consecutiva, ganhou o Honda City. Segundo a Quatro Rodas, o modelo venceu em 2024 com desvalorização de 18,4%, passou para 11% em 2025 e chegou a apenas 6% neste ano.
Sedã médio – O Toyota Corolla manteve o seu valor de tabela intacto durante um ano inteiro. A Quatro Rodas lembra que a destruição da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), paralisada no final de 2025, pode ter afetado o resultado, já que a falta de estoque de modelos zero-quilômetro impulsiona a valorização dos seminovos.
Sedã Premium – Assim como Audi A3 Sportback, deu Audi também neste subsegmento, com o A3 sedã, com 5% de desvalorização. Superior os 8% do BMW Série 3, o líder de vendas do segmento.
SUV compacto de entrada – O Fiat Pulse registrou a pior desvalorização entre os campeões (12%). Mas apresentou melhora em relação aos 16% do ano passado. Ficaram de fora as opções híbridas leves.
SUV Compacto – O Citroën Basalt estreia como campeão numa subcategoria que teve 13% como média da categoria.
SUV Médio – O Chevrolet Equinox valorizou 2% em um ano. A versão Activ depreciou 8%, enquanto a RS valorizou 11%.
SUV até R$ 500 mil – O Toyota SW4 desvalorizou apenas 3%. A média média foi 12% para a subcategoria.
SUV acima de R$ 500 mil – Porsche Cayenne e BMW X6 empataram com desvalorização de 9%, superando outros modelos das mesmas marcas, como o BMW X7 (13%) e o Porsche Macan (16%).
Picape Compacta – A Fiat Strada, carro mais vendido do Brasil, desvalorizou 4%. As configurações intermediárias Volcano manual e automática são as que menos perderam valor, recuando apenas 3% e 5%, respectivamente.
Picape Intermediária – A Renault Oroch apresentou desvalorização de 9%. A seguir, vieram a Chevrolet Montana (16%) e a Fiat Toro (18%).
Picape Média – A Toyota Hilux, além de a picape média mais vendida do país, é a que menos desvaloriza (média de 4%). O percentual deixa para trás a Ford Ranger e a VW Amarok (ambas com 9%) e a Chevrolet S10 (13%).
Picape Grande – A Ram 3500 e a Ram 2500 apresentaram as maiores valorizações, com altas de 19% e 12%. Segundo a Stellantis, houve uma forte procura pela linha heavy duty, gerando filas de espera nas lojas.
Híbrido até R$ 350 mil – As versões híbridas do Toyota Corolla e do Caoa Chery Tiggo 7 empataram com desvalorização de 4%, índice superior à média de 11% da categoria.
Híbrido acima de R$ 350 mil – O Porsche Panamera é o campeão com desvalorização de 5%, superando o Mercedes-Benz GLS (6%) e os utilitários Land Rover Defender e Range Rover (7%).
Elétrico até R$ 300 mil – Houve um empate triplo entre Volvo EX30, GWM Ora 03 e Renault Megane, todos com depreciação de 5% em um ano.
Elétrico acima de R$ 300 mil – Mais um segmento com valorização. O Porsche Taycan teve acréscimo de 2%, desempenho superior ao dos rivais Mercedes EQE (queda de 6%) e EQS (queda de 7%).
Médias das categorias
| Subcompacto | – 12% |
| Hatch Compacto | – 11% |
| Hatch Premium | – 13% |
| Sedã Compacto | – 13% |
| Sedã Médio | – 6% |
| Sedã Premium | – 10% |
| SUV Compacto de Entrada | – 13% |
| SUV Compacto | – 13% |
| SUV Médio | – 14% |
| SUV até R$ 500.000 | – 14% |
| SUV acima de R$ 500.000 | – 12% |
| Picape Compacta | – 10% |
| Picape Intermediária | – 16% |
| Picape Média | – 12% |
| Picape Grande | + 3% |
| Híbrido Até R$ 350.000 | – 10% |
| Híbrido Acima de R$ 350.000 | – 12% |
| Elétrico Até R$ 300.000 | – 13% |
| Elétrico Acima de R$ 300.000 | – 12% |
| Furgão Compacto Comercial | – 13% |
| Furgão Comercial | – 9% |
| Van Comercial | – 12% |
| Média Geral do Mercado | – 12% |
Fonte: Quatro Rodas/