A terceira semana da campanha presidencial começa com Augusto Cury em outro patamar. O candidato do Avante, que até pouco tempo era pouco conhecido do eleitorado, passou a ocupar um espaço de destaque nas pesquisas e nas redes sociais. A mudança aconteceu em poucos dias e já interfere nas análises sobre a disputa de 2026.
Na pesquisa BTG/Nexus, Cury passou de 2% para 11% das intenções de voto no cenário estimulado. Foram nove pontos em uma semana. Com o novo resultado, aparece à frente da soma de Ronaldo Caiado e Renan Santos. Para uma candidatura que estava distante dos primeiros colocados, atingir os dois dígitos é um feito considerável.
O salto também aparece no ambiente digital. Cury foi o candidato mais procurado no Google e ganhou mais de 2 milhões de seguidores em menos de uma semana. A audiência nas redes sociais saiu de 8,3 milhões para mais de 10,5 milhões. Não é pouca coisa. Em uma campanha cada vez mais dependente da exposição digital, essa velocidade ajuda a explicar a mudança de patamar do candidato.
A Atlas/Intel encontrou um movimento parecido. Cury chegou a 7,8%, avanço de 6,2 pontos. Lula aparece com 43,4%, Flávio Bolsonaro, com 33,7%, e Renan Santos, com 7,6%. Os percentuais não são diretamente comparáveis, já que os levantamentos têm metodologias e datas diferentes. Ainda assim, há uma coincidência difícil de ignorar: Cury deixou de aparecer apenas como um nome periférico e passou a pontuar em pesquisas diferentes.
Isso não significa, necessariamente, que o crescimento virou voto consolidado. Uma campanha presidencial muda bastante em pouco tempo. O candidato que ganha espaço rapidamente também pode perder parte dele na mesma velocidade. E transformar seguidores, buscas e visualizações em votos é outra história.
É justamente aí que Cury terá de mostrar se o fenômeno digital pode sobreviver ao ambiente eleitoral tradicional. A candidatura encontrou uma maneira de despertar curiosidade e atrair público. Agora precisa convencer quem está fora dessa bolha. Reconhecimento ajuda, mas não basta. O eleitor precisa saber o que o candidato defende e, principalmente, decidir se vale a pena votar nele.
As propostas apresentadas até aqui tentam ocupar esse espaço. Cury fala em criar um Ministério da Inteligência Artificial e em usar drones no combate ao feminicídio. As duas bandeiras apostam em assuntos que têm forte presença no debate atual, tecnologia e segurança, e ajudam a dar contornos próprios à candidatura.
Os próximos levantamentos serão importantes para saber o tamanho real desse avanço. Quaest e Datafolha vão divulgar pesquisas nesta semana. Se Cury aparecer novamente em uma posição semelhante, será um sinal de que a alta não ficou restrita ao ambiente das redes sociais.
A disputa, portanto, ganha uma variável que não estava nas primeiras contas. Lula e Flávio Bolsonaro ainda concentram as maiores intenções de voto, mas Cury começa a ocupar um espaço que mexe com as projeções para a eleição. É uma tendência ou apenas uma arrancada inicial, seguida de acomodação? Com a campanha ainda no começo, é impossível cravar qual dos dois caminhos prevalecerá.
Uma coisa, porém, já mudou. Augusto Cury deixou de ser um nome periférico nas pesquisas. E a subida já é suficiente para que os institutos passem a testar com mais frequência cenários de segundo turno com sua presença. Até pouco tempo, essa possibilidade sequer fazia parte das principais simulações.
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