A poucas semanas do primeiro turno, os principais candidatos ao Senado pelo Distrito Federal já deixam claro onde querem concentrar seus esforços neste fim de semana e nas próximas semanas de campanha. O Em Alta na Política perguntou a cada um deles se já existe previsão de agenda pública e qual é a estratégia para se aproximar do eleitor brasiliense. As respostas mostram caminhos bem diferentes entre os concorrentes.
Kicis e Michelle não divulgam agenda
A resposta mais direta veio da chapa formada por Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, do PL. Segundo a campanha, não há previsão de divulgação diária de agenda, apenas compromissos eventuais que devem ser informados conforme acontecem. Sobre a estratégia de aproximação com o eleitor, a resposta também foi objetiva: o foco está nas cidades do entorno do DF, além de redes sociais e horário eleitoral.
A opção por não divulgar agenda com antecedência é uma prática comum em campanhas que preferem manter certo controle sobre a exposição do candidato, mas também levanta questionamentos sobre transparência, especialmente vindo de duas candidatas com forte capital político e alto nível de reconhecimento entre o eleitorado de direita.
Kokay aposta na biografia e nas causas sociais
Do outro lado do espectro político, a campanha de Érika Kokay (PT-DF) optou por uma resposta mais discursiva, apoiada na trajetória da candidata. A campanha destacou os 50 anos de atuação política de Kokay e os 24 anos de mandato, afirmando que a proposta é dar voz a grupos como pessoas com doenças crônicas, famílias de crianças atípicas, quem busca moradia digna e quem enfrenta violência de gênero, racismo e homofobia. A campanha resume a estratégia na ideia de que a política guiada pelo afeto e pela justiça é o que vai orientar os programas da candidata.
Sebastião Coelho mira as satélites
Já a campanha de Sebastião Coelho (Novo-DF) apresentou uma estratégia clara de posicionamento dentro do próprio campo da direita. Segundo a equipe, o objetivo é reforçar a imagem de um candidato que defende pautas da direita e do bolsonarismo há três anos. Como não tem tempo de rádio e TV, o foco da campanha está nas grandes satélites, como Ceilândia, Samambaia e Taguatinga, além das redes sociais, onde o candidato tem número relevante de seguidores.
A campanha também deixou claro o principal ângulo de disputa interna com as concorrentes de direita: Coelho quer se apresentar como o candidato mais combativo contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e afirma ter mais conhecimento jurídico do que Kicis e Michelle. A reforma do Judiciário aparece como a principal proposta da candidatura.
As respostas revelam disputas internas relevantes dentro da própria direita, com Sebastião Coelho tentando furar o bloqueio de tempo de TV reduzido com presença forte nas satélites e nas redes, enquanto Kicis e Michelle preferem manter a agenda mais reservada e concentrar esforços em municípios do entorno. Do lado de Kokay, a estratégia foge do jogo eleitoral mais tático e aposta na construção de narrativa em torno de bandeiras sociais.
Com o primeiro turno se aproximando, a forma como cada campanha decide se comunicar com o eleitor, e o que decide não comunicar, já funciona como um retrato da disputa pelo Senado no Distrito Federal.
Até o fechamento desta matéria, a campanha de Leila Barros (PDT-DF) não respondeu aos questionamentos enviados. O canal segue aberto para eventuais posicionamentos.
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