O Distrito Federal tem 643 candidatos disputando as eleições de 2026. Entre as candidaturas mais jovens, de 21 a 24 anos, estão quatro nomes: Henrique Durães, que tem 23 anos e concorre a deputado distrital pelo partido Missão; Welder Clístenes (PSB), que tem 24 anos e disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados; Ester Carvalho (União Brasil), candidata a deputada federal que é 27 dias mais velha que Luiza do Clezão (PL), a mais nova deles, com 22 anos.
Ana Luiza Duarte da Cunha, conhecida como Luiza do Clezão, decidiu se lançar na disputa por uma cadeira na Câmara Legislativa do DF após perder o pai, Cleriston Pereira da Cunha. Ele foi um dos presos de 8 de janeiro de 2023 e morreu no Complexo Penitenciário da Papuda em 20 de novembro de 2023, aos 46 anos. Em entrevista ao Em alta na política, Luiza afirma que se candidatou para “tranformar a dor em causa”.
“Sou filha de um patriota que foi preso na manifestação do 8 de janeiro e devido à omissão de socorro, omissão do STF, ele acabou morrendo na Papuda, no banho de sol. E hoje eu estou como candidata a deputada distrital realmente para transformar a minha dor em uma causa. Visitando meu pai na Papuda, vendo uma realidade completamente diferente quando meu pai estava em cárcere, eu vi que Brasília precisa de um representante, de um cidadão comum que vive a realidade de toda a situação”. Então, eu transformei a minha dor em uma causa, ser voz dos esquecidos aqui no Distrito Federal”, conta a candidata.
Ao defender a pauta prioriária da campanha, a jovem desacou sua visão acerca do sistema carcerário do Distrito Federal. Para Luiza, os presídios brasileiros “tratam os presos como animais” e não valorizam os agentes penais, que também sofrem com a precarização e a fala de estrutura.
“Eu tinha um pensamento muito ignorante antes de acontecer o fatídico 8 de janeiro, eu tinha uma impressão completamente diferente do que eu vivi quando eu visitava na Papuda. É um presídio que deveria ter estrutura, só que não tem estrutura (…) Acredito que o familiar que tá indo visitar não tem culpa de nada. Então, eu quero trazer mais estrutura para as crianças que vão visitar o pai no presídio. Precisa de uma área de acolhimento no presídio. Também precisa valorizar os policiais penais dos presídios daqui no Distrito Federal, o aalário do policial penal não é valorizado aqui”, afirma.
Plano para o Legislativo
Ao blog, Luiza conta sua promessa enquanto candidata a deputada distrital: aprovar 46 projetos. “Esse é um número muito significativo para mim, porque meu pai morreu com 46 anos”, pontua. As propostas foram elaboradas, de acordo com a candidata, junto a especialistas de cada área, como jurístas, economistas e educadores, colaboração que Ana Luiza batizou de “gabinete de elite”.
“A morte do meu pai foi algo que acendeu a chama no meu coração. E eu tenho um propósito na minha vida que é no meu primeiro dia de mandato apresentar 46 propostas e eu vou lutar para que essas 46 propostas sejam aprovadas na CLDF”, revela. “São propostas que que valorizam o agro, que valorizam os jovens, que valorizam as pessoas de 50 anos acima, que valorizam mães atípicas, que valorizam órfãos, que valorizam viúvas”, ressalta.
“A candidata de Flávio Bolsonaro”
Filiada ao PL, Luiza se apresneta como “a candidata de Flávio Bolsonaro” e chegou a comparar a situação dos dois diante dos atos de 8 de janeiro. Para Ana Luiza, ela e Flávio compartilham “a dor de ficar longe do pai”.
“É uma honra ser candidata pelo PL, é um partido que representa as minhas pautas, que representa o legado do meu pai, que é o os valores cristãos, os valores conservadores, os valores da direita. É uma honra imensa caminhar com Michele Bolsonaro e também ser candidata de Flávio Bolsonaro”, diz. Luiza também contou que pretende realizar uma “cavalgada” pelo Distrito Federal ao lado do senador: “Estou na organização de uma cavalgada. Eu quero que Bia Kicis, Flávio e Michelle participem”, conclui.