Aneel adia novamente decisão sobre curtailment

Pedido de vista interrompe votação sobre regras para dividir os impactos dos cortes de geração entre usinas renováveis, tema discutido há sete anos

Segundo Gentil Nogueira, ainda é necessário aprofundar pontos técnicos da proposta antes da deliberação. Foto: Ricardo Botelho/MME.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltou a adiar, nesta terça-feira (28/7), a decisão sobre as novas regras para o compartilhamento dos impactos econômicos provocados pelos cortes de geração de energia, conhecidos como curtailment. O processo foi interrompido após um pedido de vista do diretor Gentil Nogueira.

Considerado um dos principais entraves para a expansão das fontes renováveis no país, o tema é discutido pela agência há sete anos e busca definir critérios para a distribuição dos prejuízos causados pelas restrições de despacho determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O pedido de vista ocorreu mesmo após representantes de associações manifestarem apoio ao voto-vista apresentado pelo diretor Fernando Mosna no âmbito da Consulta Pública nº 45/2019.

Ao justificar a suspensão da análise, Gentil Nogueira afirmou que ainda pretende aprofundar pontos relacionados ao modelo de “operação sombra”, ao tratamento dos cortes elétricos, à inclusão das hidrelétricas nas simulações e aos mecanismos para que os agentes possam contestar a classificação dos cortes feita pelo ONS.

Até o momento, segue como principal referência o voto da relatora do processo, diretora Agnes da Costa. A proposta prevê que os impactos financeiros dos cortes de geração motivados por excesso de oferta de energia sejam compartilhados entre usinas hidrelétricas sem reservatório com vertimento turbinável, parques eólicos e usinas solares. 

O texto também estabelece um período de transição de um ano, por meio da chamada operação sombra, antes da implementação definitiva das regras.

A proposta enfrenta resistência de parte dos agentes do setor. Geradores eólicos e solares argumentam que o modelo pode provocar uma transferência de custos entre as fontes, reduzindo o impacto para determinadas hidrelétricas e ampliando o ônus para empreendimentos de energia eólica e solar.

Em voto-vista apresentado durante a reunião, Fernando Mosna propôs uma alternativa ao modelo da relatora. O diretor defendeu que, em um primeiro momento, o rateio seja realizado apenas entre empreendimentos da mesma fonte de geração — o chamado modelo “intrafonte” para usinas eólicas e solares —, adiando a divisão conjunta entre as três tecnologias. 

Sem consenso entre os diretores, a definição sobre um dos temas mais sensíveis para o mercado de energia renovável permanece sem data para ser concluída.