IMDS lança painel comparativo de estados para as eleições

Painel do IMDS reúne 228 indicadores distribuídos em 12 temas, como ambiente de negócios, distribuição de renda e pobreza, educação, saúde e segurança, comparáveis entre os 27 entes federativos

A menos de 20 dias para o primeiro turno das eleições, o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) lança um painel que mostra os avanços e retrocessos das 27 Unidades Federativas (UFs). A ferramenta reúne 228 indicadores distribuídos em 12 temas: ambiente de negócios; assistência social; atividade econômica; distribuição de renda e pobreza; educação; situação fiscal; habitação; meio ambiente; mercado de trabalho; mobilidade social; saúde; segurança. O objetivo é que os dados desse painel possam ser utilizados pelos governadores que assumirem ou renovarem os mandatos em 2027.

O painel “IMDS – Eleições: Panorama Estadual” está disponível, a partir da noite desta quinta-feira (17/9), no site do instituto. Nessa ferramenta será possível fazer comparações e ver a trajetória dos estados em diversas áreas, como educação, economia, meio ambiente e desenvolvimento social. Em alguns indicadores há avanços consistentes; em outros, os resultados permanecem praticamente estagnados ou se deterioram ao longo do tempo, de acordo com os especialistas responsáveis pelo projeto.

Segundo eles, boa parte das Unidades da Federação têm problemas comuns, como insegurança, pobreza, informalidade e baixos níveis de aprendizagem, que continuam a limitar o avanço do desenvolvimento e da mobilidade social no país. “O principal objetivo do painel é ajudar os candidatos a olharem quais os pontos que precisam ser melhorados e a ferramenta pode ajudar os eleitores a tomarem decisão de voto ao analisar as propostas dos candidatos com o quadro de cada estado”, disse Leandro Rocha, pesquisador do IMDS, em entrevista ao Correio e ao Blog.

O diretor do IMDS, Fernando Veloso, acrescentou que uma das bases de dados do painel é o novo Atlas de Mobilidade Social do instituto que revela a dificuldade de alguém de uma família pobre conseguir atingir a metade superior da pirâmide social. “A pobreza, hoje, diminuiu em termos comparativos na maioria dos estados, inclusive, no Nordeste. Mas no indicador de trabalho, a desigualdade aumenta devido à informalidade”, explicou.

De acordo com os especialistas, a combinação entre posição relativa e trajetória histórica é um dos principais diferenciais da ferramenta. Um estado pode apresentar um resultado favorável em determinado indicador, mas estar perdendo posição ao longo do tempo. Da mesma forma, uma UF que ainda ocupa uma posição desfavorável pode estar registrando avanços mais rápidos do que outras.

O estado do Mato Grosso, que tem o menor indicador de pobreza, mas segue entre os piores quando o assunto é meio ambiente e desmatamento, segundo a ferramenta. Logo, os dados painel permitem ainda identificar grupos de estados com desempenhos semelhantes e comparar diferentes dimensões do desenvolvimento. Para cada indicador, as Unidades da Federação são distribuídas em três grupos — melhores resultados, resultados intermediários e piores resultados —, o que permite observar tanto a posição relativa de cada estado quanto sua evolução ao longo do tempo. O painel também possibilita a construção de rankings por indicador, oferecendo diferentes perspectivas para a análise das disparidades e das trajetórias estaduais.

Trajetórias distintas

Na segurança pública, as diferenças entre as trajetórias estaduais são particularmente expressivas. O Amapá apresenta a maior taxa de homicídios entre as 27 UFs e uma trajetória de deterioração ao longo do período analisado: a taxa passou de 32,8 homicídios por 100 mil habitantes, em 2006, para 57,3, em 2023.

A Bahia, com a segunda maior taxa de homicídios do país, registra, atualmente, 43,9 homicídios por 100 mil habitantes, ante 23,7, em 2006. Enquanto isso, o estado de São Paulo apresentou uma trajetória inversa. A taxa de homicídios caiu de 20,4 por 100 mil habitantes, em 2006, para 6,4 em 2023, a menor entre os estados brasileiros.

Na educação, há um contraste na evolução dos resultados entre os estados. No Ceará, por exemplo, o percentual de alunos do 2º ano do Ensino Fundamental com nível adequado de proficiência em leitura passou de 44,9%, em 2021, para 72,1%, em 2023. Em Alagoas, no mesmo período, o indicador passou de 30% para 30,7%, praticamente permanecendo no mesmo patamar.

O painel também mostra que o mercado de trabalho tem uma enorme desigualdade entre os entes federativos e até pela idade dos estudantes. Entre os jovens de 18 a 24 anos que não trabalham nem estudam, o estado de Santa Catarina registrou queda de 17,5%, em 2012, para 13,5%, em 2025. Já no estado de Alagoas, esse percentual aumentou de 27% para 38,2% no mesmo período.

A comparação entre as UFs também evidencia o retrato das diferenças regionais persistentes do país. Uma notável discrepância manifesta-se em dois blocos: os estados do Norte e Nordeste e os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Segundo os dados do painel, entre os nove primeiros colocados no ranking dos estados com a maior proporção de pessoas com renda domiciliar per capita abaixo da linha de extrema pobreza, todos são das regiões Norte e Nordeste. Enquanto isso, os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste ocupam as melhores posições entre as 27 UFs.