Para Mdic, duas novas tarifas norte-americanas atingem 23,1% das exportações para os EUA

De acordo com estimativas do Mdic, 23,1% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas pelas duas novas tarifas norte-americanas que entraram em vigor nesta semana, mas 52,7% serão isentas

crédito: divulgação Porto de Santos

O alcance das tarifas adicionais dos Estados Unidos aos produtos brasileiros, decorrentes por duas investigações realizadas pelo gabinete do Representante de Comércio norte-americano (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301, da Lei de Comércio dos EUA, será de 23,1% das exportações brasileiras, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em nota divulgada nesta sexta-feira (24/7).

O levantamento da pasta foi feito com base no comércio bilateral de 2024, quando o as exportações para os EUA atingiram o pico de US$ 40,4 bilhões, e o impacto das duas tarifas adicionais norte-americanas que entraram em vigor nesta semana e que somam 37,5%.

De acordo com o MDIC, 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5%, incluindo, por exemplo, obras de pedra, gesso e materiais semelhantes; minérios; óleos essenciais e produtos de perfumaria; e pescados; 1,9% das exportações é alcançada exclusivamente pela sobretaxa de 25%, abrangendo, entre outros produtos, o açúcar; e 16,5% das exportações são alcançadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, sujeitam-se à sobretaxa acumulada de 37,5%, caso de produtos como máquinas e equipamentos; vários tipos de madeira; gorduras e óleos; calçados; móveis; confecções.

Dessa forma, 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão alcançadas pelas sobretaxas setoriais (Seção 232) nem por tarifas amplas ou específicas aplicadas no âmbito da Seção 301, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas. “Nessa categoria estão, por exemplo, café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose”, destacou a nota do Mdic.

Ontem, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou a segunda medida estabelecendo sobretaxa adicional de 10% a 12,5% às importações originárias de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, relacionada à investigação sobre práticas relacionadas à prevenção e ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. Essa nova taxa é somada à anterior, de 25% para determinados produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, que foi aplicada sob a justificativa de aplicação de prática de comércio desleal.

“Essa sobretaxa (de 10% ou 12,5%) substitui a tarifa temporária de 10% aplicada desde 24 de fevereiro de 2026 com fundamento na Seção 122 da legislação comercial dos Estados Unidos, que expirou em 24 de julho de 2026. A tarifa da Seção 122 consistia em uma sobretaxa geral incidente sobre importações de diversos países e havia sido adotada com caráter temporário, pelo prazo máximo de 150 dias previsto na legislação norte-americana”, destacou a nota do Mdic.

De acordo com o órgão, no primeiro caso, a decisão norte-americana incluiu uma lista revisada de produtos excepcionados da sobretaxa, ampliando o rol constante da recomendação original apresentada em 1º de julho. Com isso, houve aumento do conjunto de itens excluídos da aplicação da medida. No segundo caso, a tarifa de 12,5% foi aplicada a 41 economias, enquanto a tarifa de 10% foi aplicada a 19 economias.

Para a maior parte dos países abrangidos, essas tarifas são adicionais às tarifas-base de importação já existentes. Contudo, para um grupo de cinco economias (União Europeia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Suíça) as novas tarifas não se somam às tarifas-base, logo, passam a ser a tarifa máxima para as importações relativas aos produtos listados desses países.

A pasta destacou ainda que a essa nova sobretaxa de 10% a 12,5% substitui a tarifa temporária de 10% aplicada desde 24 de fevereiro de 2026 pelo governo norte-americano com fundamento na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que expirou hoje. “A tarifa da Seção 122 consistia em uma sobretaxa geral incidente sobre importações de diversos países e havia sido adotada com caráter temporário, pelo prazo máximo de 150 dias previsto na legislação norte-americana”, acrescentou o comunicado.

Queda nas exportações para os EUA

O avanço do tarifaço dos EUA sobre os produtos brasileiros desde o retorno do republicano Donald Trump para a Casa Branca fizeram as exportações nacionais recuarem 6,7% em relação ao recorde de US$ 40,4 bilhões de 2024, para US$ 37,7 bilhões, em 2025.

Neste ano, o volume embarcado para o mercado norte-americano segue em queda devido à continuidade das sobretaxas adotadas pelos EUA. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Conforme dados do Mdic, o desempenho foi influenciado principalmente pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo, que registraram queda de 30,4%, e de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, cujas exportações recuaram 21,7%. “Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Em termos anuais, a participação norte-americana passou de 12,0% das exportações brasileiras em 2024 para 10,8% em 2025”, acrescentou a nota do órgão.

As importações brasileiras de produtos originários dos Estados Unidos também apresentaram queda no primeiro semestre, contribuindo para uma redução de 12,8% na corrente de comércio bilateral. “Os dados indicam uma desaceleração das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos após os níveis historicamente elevados observados nos últimos anos. Esse movimento tem ocorrido em um ambiente de crescente incerteza quanto à política comercial norte-americana, caracterizado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e indevidas e por frequentes revisões das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos”, complementou o comunicado.