IPCA apresenta deflação de 0,32% em agosto graças ao Bônus de Itaipu

Impacto da redução do custo energia elétrica do Bônus de Itaipu na inflação oficial foi de -0,33 ponto percentual, conforme dados do IBGE. Logo, sem ele, IPCA teria alta de 0,01% no mês passado

vertedouro de Itaipu/ Crédito: Rubens Fraulini / Itaipu Binacional

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação em agosto ao ter variação negativa de 0,32%, dado 0,39 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,07% registrada em julho. A queda do indicador oficial da inflação, inclusive, foi mais profunda do que a esperada pelo mercado, cuja mediana do boletim Focus do Banco Central era de -0,27%. Mas esse desempenho negativo, que é recorrente para o mês, ocorreu, principalmente, devido ao Bônus de Itaipu, desconto na conta de luz que amorteceu as pressões de preços da energia elétrica pois, sem ele, provavelmente, não haveria queda no indicador mensal.

No acumulado do ano, o IPCA acumula alta de 3,11% e, nos 12 meses encerrados em agosto, o índice ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. Com isso, o IPCA segue abaixo do teto da meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,50%, cujo centro é de 3%, temporariamente. A mediana das estimativas do mercado para o IPCA deste ano está em 5%, portanto, acima do limite superior da meta, devido à perspectiva do aumento pressões nos preços de serviços e dos combustíveis, além do início dos efeitos do fenômeno climático El Niño, que devem se estender até 2027. Em agosto de 2025, a queda do IPCA foi menor, de -0,11%.

Conforme dados do IBGE, entre os nove grupos pesquisados, quatro tiveram queda: habitação (-1,87%), transportes (-0,86%), alimentação e bebidas (-0,34%) e comunicação (-0,09%). As altas oscilaram entre 0,12% de vestuário e 1,30% de despesas pessoais, que registrou a maior variação e o maior impacto no IPCA do mês, de 0,13 ponto percentual, puxado pelo salto de 19,59% de alta no preço do cigarro que apresentou impacto positivo de 0,11 ponto percentual no indicador da carestia mensal.

A maior queda ficou com o grupo habitação, de 1,87%, foi o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, e teve impacto de -0,29 no IPCA do mês, de acordo com o IBGE. A principal contribuição negativa para esse grupo veio da energia elétrica residencial que recuou 7,63% no mês, em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto, e, com isso, teve impacto de -0,33% no IPCA. Logo, se não fosse esse bônus na conta de luz, a variação do indicador de carestia seria positiva, pois a bandeira tarifária amarela continuou em vigor em agosto, adicionando R$ 1,885 na conta de luz para cada 100 Kwh consumidos. 

O IBGE destacou ainda que houve também a incorporação de reajustes tarifários no mês passado em várias capitais. Ainda em Habitação destaca-se, também, a variação de 1,74% no preço do gás encanado, que se deu devido aos reajustes nas tarifas de 10,21% e 1,80%, em Curitiba (9,89%) e no Rio de Janeiro (1,69%), respectivamente, ambos a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto (0,11%) reflete o reajuste de 3,55% em Salvador (2,21%), vigente desde 20 de julho.

A deflação em no grupo transportes, 0,86%, refletiu as quedas de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis, com recuos no etanol (-3,95%), no óleo diesel (-0,80%) e na gasolina (-0,59%). O gás veicular subiu 2,62%. O subitem táxi, com alta de 0,62% , considera o reajuste de 8,42% nas tarifas em Belo Horizonte (de 6,33%) vigente desde 08 de agosto. Já a queda de transporte por aplicativo (de -4,57%) contempla, além da variação apurada em agosto, parte do resultado de julho que, indevidamente, não foi apropriado no referido mês, segundo o IBGE. 

O grupo alimentação e bebidas registrou deflação de 0,34%, em agosto, o dado desacelerou em relação ao recuo de 0,67% em julho, por influência da alimentação no domicílio (-0,61%). As principais quedas preços ficaram com a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), s cebola (-11,07%), o tomate (-10,94%), o ovo de galinha (-4,15%) e o café moído (-1,86%). No lado das altas, o leite longa vida liderou a lista com inflação de 1,78%, seguido por  frutas (0,84%) e carnes (0,61%). O custo da  alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55%, em julho, para 0,36%, em agosto, com o lanche saindo de 0,76% para 0,62%, e a refeição de 0,42% para 0,18%, no mesmo período.

Em relação aos índices regionais, a menor variação do IPCA de agosto foi em Curitiba (-0,64%), por conta dos recuos da passagem aérea (-15,34%) e da energia elétrica (-7,73%). Na variação de -0,02% em Brasília, o destaque ficou com a alta da gasolina (3,91%) e do cigarro (22,89%).