Um ano após condenação de Bolsonaro, como está a oposição no Congresso Nacional

Em entrevista, senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defende que resiliência de Bolsonaro fortaleceu a bancada bolsonarista no Legislativo, mas fragmentação em torno de Flávio Bolsonaro expõe rachaduras na direita

Um ano após condenação de Bolsonaro, como está a oposição no Congresso Nacional
Crédito: Ségio Lima/AFPUm ano após condenação de Bolsonaro, como está a oposição no Congresso Nacional

Um ano depois de Jair Bolsonaro ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, a oposição no Congresso Nacional avalia que o período fortaleceu, e não enfraqueceu, a atuação parlamentar do grupo. É o que defende a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais vozes do bolsonarismo no Senado, em entrevista concedida ao Em Alta na Política.

Para a senadora, o saldo do último ano é o de uma oposição “infinitamente mais firme, unida e aguerrida”, que passou a se espelhar na postura do ex-presidente diante do processo. Segundo ela, a resiliência de Bolsonaro ao longo da ação penal se transformou em combustível político para o grupo dentro das comissões e do plenário. “A chama da liberdade que Bolsonaro acendeu em cada um de nós só queima com mais força diante da injustiça”, afirmou Damares.

No entanto, o discurso de “oposição unida” defendido por Damares diverge de uma sequência de crises dentro da direita, e do próprio PL, ao longo do último ano, sobretudo em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

O senador enfrentou diversos escândalos ao longo de sua campanha, desde a revelação de que teria cobrado recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro até um rompimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o acusou de tê-la humilhado durante uma conversa e trocas de farpas entre outras lideranças da base, como o irmão Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira. 

De acordo com fontes ouvidas pelo Blog, com toda a tensão em torno de Flávio, cresceu entre aliados historicamente ligados ao bolsonarismo um movimento de distanciamento silencioso do filho mais velho de Jair, motivado tanto pelo desgaste do caso Vorcaro quanto pela avaliação de que a candidatura do senador carrega mais riscos do que capital político. 

Questionada sobre se a anistia ainda é uma expectativa real entre os aliados de Bolsonaro, a senadora foi enfática ao descartar qualquer sinal de recuo da pauta, tratada como prioridade desde os primeiros meses após a condenação. “Defender a anistia no Congresso não é cálculo eleitoral mesquinho, é um dever moral, um clamor por justiça e pelo restabelecimento da paz em nosso país”, disse.

Sobre um possível cenário de reeleição de Lula em 2026, hipótese que tornaria a aprovação de uma anistia ampla ainda mais improvável, a senadora não apresentou um caminho alternativo concreto para o retorno de Bolsonaro ao cenário político. Damares reforçou o discurso de perseguição e reafirmou a disposição da oposição de seguir pressionando pela pauta no Legislativo.”É revoltante ver o duplo padrão imposto à nossa nação, onde quem comete crimes reais é poupado e quem defende o Brasil é perseguido”, declarou.