Levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados contradiz projeções oficiais do governo e alerta para uma trajetória explosiva da dívida pública brasileira. Enquanto o Executivo aposta em uma reversão do cenário a partir de 2029, a análise técnica aponta que o endividamento superará a marca de 100% do PIB entre 2032 e 2035. O quadro exige respostas estruturais urgentes, com prazo fatal para o governo eleito: 15 de abril de 2027, data limite para a apresentação da LDO de 2028.
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O consultor Paulo Bijos, autor do estudo, introduz o conceito de fadiga fiscal para explicar a paralisia do Estado. O Brasil encontra-se em uma zona de exaustão, onde novas elevações da carga tributária enfrentam resistência política e social, enquanto a transição demográfica pressiona as despesas correntes de forma crescente.
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A matemática do ajuste é severa. Para estabilizar a dívida em 80% do PIB, o país precisaria implementar um corte ou aumento de receita equivalente a R$ 330 bilhões anuais. O número é superior a todo o montante de despesas não obrigatórias previstas no Orçamento de 2026, que soma R$ 240 bilhões.
Diferentemente de economias desenvolvidas que operam com dívidas superiores a 200% do PIB, como o Japão, o Brasil não tem o colchão de juros baixos necessário para sustentar tal patamar. O estudo conclui que a sustentabilidade da dívida brasileira encontra o teto técnico próximo aos 103,3% do PIB. Com o calendário eleitoral em curso, a avaliação técnica é de que o debate sobre reformas profundas deve ser empurrado para o fim deste ano, postergando as medidas de austeridade necessárias para evitar a perda do espaço fiscal em futuras crises.