Com quatro campanhas presidenciais no currículo eleitoral (1998, 2002, 2018 e 2022), Ciro Gomes é um dos três candidatos a governador em todo o país que já registraram o programa do governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até agora. Em 2026, vai tentar pelo PSDB mais um mandato no Palácio da Abolição, a sede do governo cearense. Ciro, que governou o Ceará entre 1991 e 1994, também conquistou outros mandatos nas urnas, como prefeito de Fortaleza e deputado federal.

Ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco e ex-ministro da Integração Nacional de Lula no primeiro mandato do petista, Ciro organizou o programa de governo em seis eixos. A prioridade recai sobre segurança pública, reorganização da máquina estadual, desenvolvimento econômico, políticas sociais e ampliação da infraestrutura. O diagnóstico apresentado é de que o estado perdeu capacidade de planejar o futuro, inovar e atrair investimentos, concentrando esforços na administração de crises.
Elaborado após consultas à população, o programa defende a retomada do planejamento de longo prazo, com responsabilidade fiscal e redução das desigualdades entre as diferentes regiões cearenses. Também aposta na digitalização dos serviços públicos para diminuir a burocracia e tornar a gestão mais eficiente.
Segurança pública concentra as principais propostas
O combate ao crime organizado é o principal destaque do plano. Ciro afirma que o Ceará enfrenta uma perda de controle do Estado em áreas dominadas por facções, cenário marcado por extorsões e pela expansão da influência dessas organizações.
Para enfrentar esse quadro, o candidato propõe integrar inteligência policial, tecnologia e investigação financeira, com o objetivo de recuperar territórios sob influência do crime. O fortalecimento da inteligência comunitária também aparece entre as medidas para identificar e desmontar estruturas criminosas.
Outro foco é elevar a capacidade de investigação. O programa cita que apenas 27% dos homicídios são esclarecidos atualmente e defende a modernização dos sistemas policiais para aumentar esse índice. Há ainda propostas para restringir a comunicação de líderes de facções presos em unidades de segurança máxima e ampliar programas de educação e qualificação profissional voltados a jovens mais vulneráveis ao aliciamento pelo crime.
Máquina pública mais enxuta
Na administração estadual, a principal promessa é uma reforma administrativa. O plano prevê reduzir o número de secretarias, eliminar estruturas com funções sobrepostas e priorizar critérios técnicos na escolha de dirigentes.
A modernização passa ainda pelo uso de inteligência artificial, ampliação dos serviços digitais e simplificação de processos internos. O documento também estabelece metas para ampliar a participação de mulheres em cargos estratégicos do governo.
Segundo a equipe que elaborou o programa, a reestruturação busca cortar desperdícios, melhorar a qualidade do gasto público e abrir espaço para novos investimentos.