Indígenas e quilombolas ampliam presença no eleitorado em 2026

Dados do TSE mostram crescimento expressivo de indígenas e quilombolas aptos a votar, impulsionado pela ampliação das informações autodeclaradas

Votação de comunidade indígena na eleição suplementar de Roraima — Foto: Antonio Augusto/TSE

As eleições 2026 terão uma participação maior de eleitores indígenas e quilombolas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os dois grupos registraram forte crescimento em relação às eleições municipais de dois anos atrás, refletindo a ampliação gradual das informações autodeclaradas coletadas pela Justiça Eleitoral.

Segundo as estatísticas do TSE, o eleitorado indígena passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 em 2026. O aumento foi de 131.496 eleitores, o que representa uma alta de 84%.

Entre os quilombolas, o crescimento se mostrou ainda maior em termos proporcionais. O número de pessoas aptas a votar passou de 95.409 para 188.371 no mesmo período. O acréscimo foi de 92.962 eleitores, equivalente a um crescimento de 97%.

Os dados fazem parte de um conjunto de informações biográficas que passaram a ser coletadas pela Justiça Eleitoral em novembro de 2022. Entre elas estão raça, identidade de gênero, pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais, etnia indígena, língua falada e indicação de ser intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Como essas informações são autodeclaratórias, a atualização ocorre gradualmente, à medida que os cidadãos realizam novas operações eleitorais e preenchem os campos disponíveis.

A Região Norte concentra a maior parcela do eleitorado indígena do país. Em 2026, ela reúne cerca de 47% de todos os indígenas aptos a votar.

O total de eleitores indígenas na região passou de 74.506 para 136.978 em dois anos. O crescimento de 62.472 pessoas representa alta de 83% e responde por quase metade da expansão nacional desse grupo.

O Nordeste aparece em seguida. O número de indígenas aptos a votar passou de 35.440 para 71.346, mais que dobrando no período. No Centro-Oeste, o total avançou de 25.404 para 40.804 pessoas. Já o Sudeste registrou o maior crescimento proporcional, saltando de 9.790 para 20.251 eleitores, aumento de 107,21%. No Sul, o contingente passou de 10.521 para 17.178.

Entre os estados, o Amazonas liderou o crescimento absoluto do eleitorado indígena. O número de registros passou de 37.359 para 73.580 pessoas, um acréscimo de 36.221 eleitores. Pernambuco, Roraima, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará também registraram aumentos expressivos.

Principais etnias registradas

Os dados de 2026 também permitem identificar os maiores contingentes por etnia indígena. Os grupos mais numerosos são Tikúna, com 19.062 eleitores, Makuxí, com 14.935, Kokama, com 12.551, e Xucuru, com 10.295.

Também aparecem entre os maiores contingentes Kaingang, Xavante, Tenetehara, Mundurukú, Guarani Kaiowá e Terena.

A distribuição regional revela diferentes concentrações pelo país. Tikúna e Kokama se destacam no Amazonas. Makuxí e Wapixana têm forte presença em Roraima. Já Xucuru, Atikum e Pankararú estão concentrados principalmente em Pernambuco. No Centro-Oeste, ganham destaque os Xavante, em Mato Grosso, e os Guarani Kaiowá e Terena, em Mato Grosso do Sul.

Nordeste concentra maior eleitorado quilombola

Entre os quilombolas, o Nordeste reúne o maior contingente de eleitores e foi a região que mais contribuiu para o crescimento nacional.

O eleitorado quilombola nordestino passou de 51.633 para 95.901 pessoas entre 2024 e 2026. O aumento foi de 44.268 registros, equivalente a 85% de crescimento. A região concentra pouco mais da metade de todos os quilombolas aptos a votar no país.

O Sudeste apresentou o segundo maior crescimento absoluto e a maior alta proporcional. O total de eleitores quilombolas passou de 17.638 para 45.305. No Norte, o número avançou de 17.895 para 32.853. Já o Centro-Oeste registrou crescimento de 6.084 para 10.169 pessoas, enquanto o Sul passou de 2.159 para 3.891.

Minas Gerais foi o estado com o maior crescimento absoluto entre os quilombolas. O número de eleitores autodeclarados passou de 12.712 para 31.487, aumento de 18.775 registros.