Inelegível, Silvia Waiãpi é barrada em convenção do PL no Amapá

Condenada pelo TSE e enquadrada na Lei da Ficha Limpa, ex-deputada anunciou candidatura nas redes, mas foi impedida pelo partido durante convenção e acusou a sigla de racismo estrutural

Ex-depuada federal Silvia Waiãpi (PL-AP)
Condenada pelo TSE e enquadrada na Lei da Ficha Limpa, ex-deputada anunciou candidatura nas redes, mas foi impedida pelo partido durante convenção e acusou a sigla de racismo estruturalEx-depuada federal Silvia Waiãpi (PL-AP)

A ex-deputada federal Sílvia Waiãpi (PL-AP) anunciou, nas redes sociais, o lançamento da candidatura à Câmara dos Deputados. No entanto, em abril deste ano o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a condenou pelo uso indevido de verba do fundo eleitoral e enquadrou Waiãpi na Lei da Ficha Limpa, tornando-a inelegível por oito anos.

De acordo com publicação feita pela ex-deputada no perfil do instagram, Silvia participaria da convenção do PL do Amapá nesta segunda-feira (20/7) e seria anunciada como representante do partido para voltar à Câmara. A parlamentar chegou a comparecer ao evento e publicar comprovantes que supostamente garantem a candidatura, mas acabou barrada no local.

O pré-candidato a deputado federal Gesiel Oliveira foi o responsável por comunicar à Waiãpi que o partido não seguiria com a candidatura dele. No evento, Gesiel leu a decisão do TSE e reafirmou a inelegibilidade da ex-deputada. “Você está inelegível, sim! Me perdoe, mas você não vai colocar em risco um projeto que estamos construindo há anos”, disse Gesiel.

Silvia Waiãpi foi acusada de desviar R$ 9 mil do fundo eleitoral para realizar procedimentos estéticos de harmonização facial durante a campanha eleitoral de 2022. Na época, o desvio foi denunciado pela coordenadora de campanha da deputada. 

Entenda o caso

Após a denúncia, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá decidiu por unanimidade pela rejeição da prestação de contas apresentada pela parlamentar e determinou a  cassação de Waiãpi. A defesa da ex-deputada decidiu seguir com o caso, que foi parar no TSE nas mãos do ministro André Mendonça, que reiterou a decisão inicial do TRE e confirmou a inelegibilidade.

Na decisão, André Mendonça destacou que “a conduta da parlamentar ofende diretamente a integridade moral do processo eleitoral e compromete a própria legitimidade do mandato obtido nas urnas”.

Silvia Waiãpi também publicou o momento de confusão na convenção do partido nas redes sociais, acusando a coordenação do partido de racismo estrutural: “Não adianta nós querermos ter voz, porque eles irão nos silenciar. Querem impedir uma mulher indígena e isso é racismo estrutural, eu tenho direito como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.

O blog buscou contato com Silvia Waiãpi e com o PL, mas não teve retorno até a publicação desta matéria. Um posicionamento também foi pedido ao TSE. O canal segue aberto para possíveis esclarecimentos.