O avanço do período seco no Brasil voltou a acender o alerta no setor elétrico e elevou o risco de acionamento da bandeira vermelha já em junho. Após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmar a bandeira amarela para maio, especialistas avaliam que a piora das condições hidrológicas pode pressionar ainda mais a tarifa de energia nos próximos meses.
Segundo Matheus Machado, a redução gradual dos níveis dos reservatórios, típica desta época do ano, aumenta a probabilidade de manutenção da bandeira amarela ou até da adoção da bandeira vermelha patamar 1.
“Estamos entrando em um período sazonalmente mais seco, com tendência de queda nos níveis dos reservatórios. Isso aumenta significativamente a probabilidade de manutenção da bandeira amarela ou até de acionamento da vermelha patamar 1 já em junho, mesmo com os bons volumes de chuva registrados na região Sul no início de maio”, afirma.
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O cenário ocorre em meio a reajustes tarifários em distribuidoras de energia de diferentes regiões do país. Levantamento com base em dados da Aneel aponta que cerca de 35 milhões de unidades consumidoras podem ser impactadas por aumentos nas contas de luz até junho — quase 40% do total nacional. Em alguns casos, os reajustes chegaram a 20%, acima da inflação acumulada no período.
Para Machado, a pressão sobre as tarifas não está ligada apenas ao clima, mas também à estrutura de custos do setor elétrico brasileiro. “O risco tarifário hoje não depende apenas da chuva. Existe uma pressão estrutural no modelo do setor elétrico brasileiro, relacionada a encargos, subsídios e à própria formação dos preços de energia. Isso faz com que a volatilidade das tarifas seja cada vez maior”, explica.
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A avaliação é que o cenário de pressão tarifária deve persistir durante o inverno, período marcado pela redução das chuvas e maior dependência de usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.
Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostram que, entre 2010 e 2024, as tarifas do mercado regulado acumularam alta de 177%, crescimento 45% acima da inflação medida pelo IPCA. No mercado livre, o avanço foi de 44% no mesmo período.