S&P eleva classificação de risco da Latam de BB para BB+

Agência de classificação de risco norte-americana diz que melhora no rating reflete desempenho positivo da companhia no primeiro semestre de 2026

A Standard & Poor’s (S&P) elevou a nota de classificação de risco da Latam Airlines, nesta segunda-feira (21/9), de BB para BB+, “devido ao forte desempenho da companhia no primeiro semestre de 2026, apesar da significativa volatilidade do mercado”.

Em relatório, a agência de classificação de risco norte-americana afirmou que prevê que a companhia aérea continuará apresentando um Ebtida (sigla em inglês para o resultado antes dos impostos, da depreciação e da amortização) robusto, “bem como fluxos de caixa e índices de recursos gerados pelas operações (FFO) em relação à dívida compatíveis com um rating mais elevado”. Simultaneamente, reafirmou o rating ‘BBB-‘ para as notas seniores com garantia real da Latam com vencimento em 2030 e em 2031.

“A perspectiva estável dos ratings reflete nossa expectativa de um desempenho operacional sólido e de que o índice de recursos gerados pelas operações (FFO) em relação à dívida permanecerá acima de 45% até 2028”, destacou a nota da agência que estima que a empresa manterá as margens do Ebitda entre 25% e 28% até 2028, “consistentemente acima da média do setor”.

“Esperamos que a resiliência da Latam, apesar da volatilidade, sustente um ano de 2026 forte. O desempenho da empresa no primeiro semestre de 2026 ressalta seu modelo de negócios robusto e sua estrutura de custos competitiva: a Latam enfrentou um aumento de 80% (em relação ao ano anterior) nos preços totais de combustível. Sua receita de passageiros cresceu 27,9% e a receita de passageiros por assento-quilômetro ofertado (Rask) aumentou 17,5% em relação ao ano anterior no segundo trimestre de 2026, indicando que a empresa conseguiu repassar os custos mais elevados de combustível para as tarifas”, afirmou.

Conforme os dados do balanço, a companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 125 milhões após registrar alta de 28% na receita para US$ 4,2 bilhões no período de abril a junho.

A S&P projeta crescimento de 9% a 10% no ASK (assentos-quilômetro ofertados) e taxas de ocupação saudáveis ​​de cerca de 84%, impulsionando o Ebitda ajustado para US$ 4,3 bilhões em 2026, respondendo por 25% do faturamento estimado pela agência, de US$ 17,1 bilhões. O valor, contudo, está abaixo da projeção estimada pela Latam para o acumulado do ano, entre US$ 17,3 bilhões e US$ 17,7 bilhões.

Na avaliação da agência, um componente importante do crescimento no curto prazo é a introdução das aeronaves Embraer E2 (com 24 pedidos firmes até 2027) para ampliar o alcance de malha aérea no Brasil. A fase inicial visa expandir a malha doméstica da Latam de 63 para 67 destinos, por meio de oito novas rotas. De acordo com o relatório, embora o Brasil continue sendo um importante motor de crescimento e um mercado com concorrência relativamente baixa, o cenário competitivo vem se transformando em 2026.

“Notavelmente, a Azul reduziu sua capacidade após a recuperação judicial (Chapter 11), enquanto a Gol adotou uma postura mais agressiva, aumentando a capacidade em 11,7%, nos últimos 12 meses até julho de 2026, – um crescimento ligeiramente superior ao da Latam”, destacou a agência citando as duas principais concorrentes da Latam no mercado brasileiro. Além disso, a taxa de ocupação doméstica da Latam no Brasil apresentou uma leve queda de 190 pontos-base em relação ao ano anterior, atingindo 80,7% no segundo trimestre de 2026.

De acordo com o relatório, à medida que a Latam expande sua capacidade doméstica por meio da frota E2, monitoramos a evolução da dinâmica competitiva e das tendências de demanda no Brasil. “A sustentabilidade da trajetória de crescimento lucrativo da empresa dependerá da garantia de que o aumento da capacidade se traduza em rendimentos estáveis ​​e taxas de ocupação saudáveis, mantendo, ao mesmo tempo, suas posições de liderança em hubs estratégicos”, destacou.

Os principais acionistas da Latam, atualmente, são a Sixth Street, com participação de 13,22%; a Delta Air Lines (com 10,57%) e a Qatar Airways (com 10,56%).