Novas projeções do Bradesco aponta inflação de 4,7% no fim do ano

Conflito no Oriente Médio faz Bradesco revisar previsões para o PIB do Brasil deste ano de 1,5% para 1,6% e elevar estimativa de inflação de 4,3% para 4,7%, considerando que a guerra termine ainda no segundo trimestre

icone pib/Kleber Salles/DAPress

Acompanhando a onda de revisões de cenários, o banco Bradesco atualizou as projeções para 2026, fazendo pequenos ajustes devido ao início do conflito no Oriente Médio, mas considerando o fim dessa guerra ainda neste segundo trimestre do ano, ou seja, até junho. 

Com as novas previsões do Bradesco a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de 1,5% para 1,6%, enquanto a perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, foi revisada de 4,3% para 4,7%. Para o PIB 2026, foi mantida a previsão de crescimento de 2%.

Esse cenário também considera o dólar flutuando em R$ 5 até o próximo ano, sob a hipótese de não fortalecimento do dólar. Essa conjuntura, aliás, deve favorecer o Brasil, pois o país acaba entrando no radar de investidores estrangeiros.

“Os indicadores de atividade seguem compatíveis com uma aceleração do PIB no primeiro trimestre. O avanço da atividade nos primeiros três meses será liderado pelos setores menos sensíveis ao ciclo econômico, a exemplo do que ocorreu no ano passado”, escreveu o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, no relatório enviado aos clientes. 

De acordo com o documento, o Banco Central deverá seguir com seu ciclo de calibração da taxa básica da economia (Selic), reduzindo os juros básicos gradualmente, no ritmo de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões.

“Ao longo do segundo semestre, se os impactos sobre os preços domésticos se mostrarem circunscritos aos efeitos de primeira ordem, o BC poderá acelerar o ritmo de cortes. Dessa forma, esperamos que a Selic encerre o ano em 12,75% ao ano”, acrescentou Honorato. Ele tem uma previsão mais otimista do que a mediana do mercado, que prevê a taxa Selic encerrando o ano em 13% anuais. 

Pelas projeções do Bradesco, o Brasil segue crescendo menos do que a média global, de 3,1%, neste ano e no próximo. Em comparação aos países vizinhos da América Latina, a região deverá crescer menos do que o Brasil, neste ano, pelas projeções da instituição financeira, com alta de 1,2%, passando para 2%, no ano que vem..

Pelas projeções do Bradesco, embora ainda não ocorra resultados concretos, os riscos de um prolongamento indefinido do conflito no Oriente Médio estão diminuindo por intervenções das vias diplomáticas. Dessa forma, o banco trabalha com o preço do barril do petróleo, que chegou a ser negociado acima de US$ 200 nos últimos dias, encerrando o ano em torno de US$ 85.