O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), decidiu manter a taxa de juros básica no patamar atual, de 3,50% a 3,75% ao ano em um placar dividido, de nove votos favoráveis e três contrários.
Esta foi a quinta reunião seguida em que o Fed manteve os juros inalterados, como o esperado pelo mercado, e a segunda sob o comando do novo presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, que assumiu o cargo em 22 de maio.
O economista foi indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para substituir Jerome Powell, cujo mandato terminou em 15 de maio, com a expectativa de que o Fed começaria a reduzir os juros com a troca de comando.
Ao que parece, a sinalização do Fed é o contrário devido à divisão na decisão e as apostas no mercado de uma possível alta de juros a partir de setembro devido ao aumento das pressões inflacionárias.
Conforme o comunicado do Fomc, a atividade econômica continua crescendo em um ritmo sólido, “apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio”. “O crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação”, destacou o documento.
Na nota, o Comitê manteve a preocupação com relação à inflação, que permanece elevada em relação à meta de 2%, em parte, devido aos choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em vários setores, incluindo o de energia.
Os três integrantes que votaram contra a decisão de manutenção da taxa básica foram Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, que preferiram elevar a taxa de juros dos fundos federais em 0,25 ponto percentual nesta reunião.
“Avaliamos que uma divisão mais explícita na diretoria colegiada do Federal Reserve entre aumento dos juros e estabilidade deve seguir precificando uma rigidez do índice do dólar superior à 101 e elevação na probabilidade de alta da taxa do Fed funds nas decisões de setembro e outubro”, destacou Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital.
De acordo com ele, com o aprofundamento da crise no Oriente Médio, o direcionamento do mercado de dólar e de juros tende a acompanhar as incertezas do mercado externo. “O dólar e os juros devem estar mais correlacionados com o exterior, com deterioração adicional do conflito entre Irã e Estados Unidos e aceleração dos preços do petróleo, que podem romper para cima, o nível de US$ 85. No mercado doméstico, o dólar abaixo de R$ 5,15 é contrabalançado com expectativas de maior preço do barril e receita das exportações físicas, mas juros futuros do DI seguirão a alta dos juros na curva internacional e cautela com os sinais do Fed e, sobretudo, dos votos para a decisão dos juros”, comentou.
Antes da decisão, os mercados financeiros estavam incomumente divididos quanto ao resultado da reunião e precificavam uma probabilidade de cerca de um em três de um aumento nas taxas de juros. Portanto, não surpreende que tenha havido uma queda acentuada nos rendimentos dos títulos do Tesouro logo após a decisão”, destacou comunicado da Oxford Economics aos clientes logo após a decisão. “Esperamos que notícias mais favoráveis sobre a inflação subjacente convençam a maioria a manter a política inalterada durante o restante deste ano e a maior parte do próximo”, acrescentou a nota.