Em meio à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e o discurso focado na “soberania”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reunir os presidentes dos demais Poderes na tribuna de honra no desfile de comemoração dos 204 anos da Independência do Brasil, ontem, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a menos de um mês do primeiro turno das eleições gerais. Ao lado do petista estavam os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin — aliás, o único ministro do Supremo presente —; do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em 2022, ano do bicentenário da Independência e das últimas eleições gerais, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha uma tribuna esvaziada e, após o desfile, subiu no caminhão de som na Esplanada e fez um famoso coro do “imbrochável” com apoiadores, que rendeu ao ex-capitão a inelegibilidade determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste ano, Lula evitou discursos e procurou ser mais protocolar para não se enroscar com o TSE.
Lados opostos
Motta e Alcolumbre chamaram atenção por não se falarem durante o desfile. A falta de conversa ou cumprimentos despertou curiosidade, uma vez que Alcolumbre agradeceu e chamou Motta de “amigo” na entrevista coletiva, no fim de agosto, junto com Lula, no Palácio do Planalto. Por outro lado, Lula e Alcolumbre eram só sorrisos, cochichos e conversas paralelas no evento.
Fora do tom
Lula convocou todos os ministros de Estado para o desfile, que contou, inclusive, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, cujo antecessor, Fernando Haddad, não participou do evento do ano passado. O presidente ainda pediu para que os ministros utilizassem roupas com as cores da bandeira nacional, mas a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, usou uma blusa vermelha que ficou bem atrás de Lula e acabou destoando. A primeira-dama Janja, por exemplo, estava de vestido branco, enquanto a vice-primeira dama, Lu Alckmin, optou por uma camisa verde e uma saia branca.
Empate numérico
A disputa para a Presidência da República segue acirrada entre Lula e o filho 01 de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Conforme a última pesquisa da Quaest/Globo, divulgada ontem, o petista está empatado em um eventual segundo turno, com 41% dos votos para cada um. É o primeiro empate numérico entre os dois desde março. A pesquisa ainda mostra aumento de 14%, na semana passada, para 20%, na preocupação com a corrupção entre os eleitores, após a crise no STF.
Público menor
Na Avenida Paulista, a manifestação convocada por Flávio em protesto contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, reuniu 28,5 mil pessoas, segundo cálculo feito pelo Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP)/Cebrap. No ano passado, o público na mesma data foi maior, 42,2 mil participantes, conforme os dados também levantados pelo Monitor. Enquanto isso, na Esplanada dos Ministérios, o Palácio do Planalto divulgou um público de 70 mil pessoas no desfile. Só que o número não foi confirmado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Natureza une extremos
A adesão ao Manifesto pelo Turismo de Natureza, que sugere aos futuros governantes o compromisso para criar e realizar uma gestão adequada de parques e áreas protegidas, tem atraído os extremos da política nacional. Candidatos de diferentes vertentes políticas, como Marcelo Freixo (PT-RJ), Tabata Amaral (PSB-SP), João Bacelar (PL-BA) e Reginaldo Lopes (PT-MG) lideram uma lista dezenas de políticos que assinaram o documento, lançado coletivamente por grandes organizações do terceiro setor — como o Instituto Semeia, SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil. Em 2025, os parques nacionais registraram 13,6 milhões de visitas e sustentaram 219,6 mil postos de trabalho, provando o peso do setor na geração de emprego e renda. Em Brasília, três candidatos para a Câmara Distrital aderiram ao movimento: Joe Valle (PDT-DF), Múcio Botelho (PSB-DF) e Raphael Sebba (PSB-DF).
Agenda da Anbima
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) está entregando aos assessores econômicos dos candidatos à Presidência uma agenda com posicionamentos para ampliar os investimentos no país. O documento de 73 páginas mostra que a participação do mercado de capitais no financiamento das empresas passou de 13%, em 2013, para 33,6%, em 2025. Para sustentar esse avanço, a entidade defende a redução do Custo Brasil, maior segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estímulos aos investimentos de longo prazo. Por enquanto, a entidade entregou a agenda apenas aos assessores dos candidatos Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão).
Investimento nas FAs
A Airbus tenta viabilizar um contrato de mais de R$ 1 bilhão para fornecer helicópteros H145 à estrutura de defesa. Nos bastidores, o que tem chamado atenção é o nome de quem ajuda a abrir caminho para o negócio: Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica. Ele esteve envolvido, quando comandava a Força Aérea Brasileira (FAB), em decisões relacionadas à aquisição dos Airbus A330. Há quem defenda que a aproximação com a fabricante é um assunto que merece escrutínio por ser uma contratação bilionária.
Coluna Brasília-DF, publicada na edição de hoje do Correio Braziliense, com Eduarda Esposito