A guerra no Oriente Médio ajudou a Petrobras a engordar o caixa da companhia, que encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, o terceiro melhor resultado trimestral nominal de sua história, conforme levantamento realizado pela Elos Ayta baseado na série histórica dos balanços da estatal. Contudo, o resultado positivo não evitou que a estatal encerrasse o pregão desta sexta-feira (07/08), na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), no vermelho, ajudando a derrubar o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3.
A Bolsa paulista encerrou o pregão desta sexta-feira com queda de 1,73%, aos 172.513 pontos. Como os papeis da Petrobras têm um peso importante na composição do IBovespa, a desvalorização das ações preferenciais e ordinárias da estatal, de 2,99% e 3,42%, respectivamente, estavam entre as principais quedas do dia. Contudo, as ações de Lojas Renner e do Banco de Brasília (BRB) lideraram as perdas, com tombos de 8% e 7%, respectivamente. No acumulado do mês, a B3 recuou 3,08%.
Enquanto isso, o dólar continuou em queda firme frente ao real, acompanhando a onda de desvalorização da divisa norte-americana no exterior, que voltou a ficar abaixo de R$ 5,10 na semana devido aos dados fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos que esfriaram as apostas de uma alta na taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em setembro.
O payroll registrou fechamento de 23 mil vagas nos EUA, em julho, abaixo das projeções do mercado, com mediana que previa a abertura de 80 mil novas vagas. Após atingir mínima de R$ 5,074, o dólar encerrou o dia com queda de 0,46%, cotado em R$ 5,083 para a venda.
Lucro 97% superior ao de 2025
O lucro da Petrobras registrado entre abril e junho deste ano ficou atrás apenas dos lucros registrados no quarto trimestre de 2020, de R$ 59,9 bilhões, e dos ganhos contabilizados no segundo trimestre de 2022, de R$ 54,3 bilhões, consolidando mais um período de forte geração de caixa para a estatal. Conforme dos dados divulgados pela Petrobras, o lucro do segundo trimestre foi 97% superior ao registrado no mesmo período de 2025. E o EBTDA (resultado antes dos impostos, depreciação e amortização), ficou em R$ 93,8 bilhões.
Apesar do resultado positivo, os papeis da companhia registraram queda na Bolsa, refletindo uma frustração do mercado em relação ao pagamento de dividendos extraordinários, o que levou alguns investidores desmontarem suas posições em relação à empresa.
Após divulgar o resultado positivo do segundo trimestre, a Petrobras também anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos aos acionistas referentes ao exercício de 2026. O pagamento será realizado em duas parcelas iguais: a primeira, em 23 de novembro de 2026, e a segunda, em 21 de dezembro de 2026.
Melhor desempenho
A Petrobras informou que o desempenho operacional foi marcado por recordes de produção própria de petróleo, que atingiu 2,7 milhões de barris por dia – dado 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Além disso, a companhia registrou crescimento na produção de derivados, como diesel e querosene de aviação (QAV), que teve aumento de 5,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2026. O aumento da produção de derivados favoreceu a redução das importações em 40% comparado com o trimestre anterior, segundo a companhia.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, disse Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, em nota da Petrobras.
Conflito no Oriente Médio
Na avaliação de Einar Rivero, diretor da Elos Ayta, o resultado positivo da Petrobras foi impulsionado, principalmente, pela valorização internacional do petróleo ao longo do trimestre, favorecida pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente em decorrência do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Segundo ele, o aumento no prêmio de risco sobre a oferta global da commodity sustentou preços mais elevados do barril, beneficiando as grandes produtoras de petróleo e ampliando significativamente a rentabilidade da Petrobras.
Além do forte desempenho no trimestre, a estatal acumula R$ 85,1 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre de 2026, montante equivalente a 77,3% de todo o lucro obtido em 2025, ano em que a estatal lucrou R$ 110,1 bilhões. Segundo ele, o levantamento evidencia que, em apenas seis meses, a Petrobras praticamente reproduziu o desempenho financeiro de todo o exercício anterior, reforçando a intensidade do atual ciclo de alta da commodity e a capacidade da empresa de converter esse cenário em resultados.
“O desempenho demonstra que a Petrobras continua altamente alavancada aos movimentos do mercado internacional de petróleo. O resultado do segundo trimestre coloca a companhia novamente entre os maiores lucros trimestrais de sua história e mostra que, mesmo com um ambiente global de elevada volatilidade, eventos geopolíticos podem gerar impactos expressivos sobre a rentabilidade das grandes petrolíferas. O fato de a empresa já ter alcançado, em apenas seis meses, mais de 77% do lucro registrado em todo o ano de 2025 evidencia a força desse movimento”, destacou Rivero.