85% dos brasileiros aprovam isenção do IR até R$ 5 mil, diz levantamento

Quase nove em cada 10 brasileiros aprovam isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, e 82% dos entrevistados consideram impostos elevados, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva com a QuestionPro

Imposto de Renda// Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

Quase nove em cada 10 brasileiros aprovam a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que entrou em vigor neste ano, de acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. O levantamento revela que 85% da população aprova a mudança que é conhecida por 77% dos brasileiros. E, embora esse consenso em torno desse benefício que vai além da preferência política dos eleitores, ele não tem se convertido em melhora expressiva na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A aprovação à isenção é um consenso e está acima da polarização. A maioria da população também concorda que os impostos são altos demais e admitem que a isenção do Imposto de Renda é positiva, e, além disso, dizem que é fundamental que os impostos sejam justos”, explicou João Paulo Cunha, diretor de pesquisa do Instituto Locomotiva.

De acordo com Cunha, a pesquisa detectou que a maioria dos entrevistados, de forma transversal, reconhecem a importância dos impostos para o financiamento dos serviços públicos. Segundo o levantamento, entre os eleitores de direita, 88% são favoráveis à medida, e, entre os eleitores de esquerda, a aprovação chega a 90%. A proximidade entre os percentuais mostra que, apesar das diferenças ideológicas, a isenção para rendas de até R$ 5 mil encontra apoio amplo nos dois grupos.

Ao mesmo tempo, conforme o levantamento, 82% dos entrevistados concordam que os impostos no Brasil são altos demais. E vale lembrar que, de acordo com dados da Pesquisa Genial Quaest, a aprovação do governo petista, em maio, ficou em 46%, três pontos percentuais acima do registrado em abril, mas um ponto abaixo dos 47% de janeiro deste ano, logo, uma recuperação que ainda não dá para comemorar.

No relatório, o presidente do Instituto, Renato Meirelles, destacou que as mudanças no Imposto de Renda revelam que o brasileiro tende a apoiar aquilo que consegue identificar como avanço, especialmente quando o tema toca diretamente sua vida financeira. Mas entre ouvir falar, concordar com a proposta e sentir seus efeitos no dia a dia ainda existe uma distância importante”. “O que a pesquisa mostra é que mudar a regra, por si só, não basta: para que a mudança gere percepção real de benefício, ela precisa ser compreendida com clareza e traduzida em confiança”, acrescentou.

Diferenças de opinião

As diferenças de opinião entre os entrevistados aparecem com mais força nas medidas associadas a controle e tributação. A maior fiscalização por cruzamento de dados é aprovada por 62% dos eleitores de direita e por 84% dos eleitores de esquerda; a tributação sobre ganhos de apostas tem apoio de 55% entre eleitores de direita e de 78% entre eleitores de esquerda; e as novas regras para declarar aluguéis são aprovadas por 48% dos eleitores de direita e por 72% dos eleitores de esquerda”, informou a pesquisa.

O diretor do Instituto Locomotiva ainda mostrou que os brasileiros não acham que os impostos são bem utilizados, apesar de serem, de certa forma, necessários. De acordo com ele, a pesquisa indicou que 55% dos entrevistados enxergam que eles são usados para financiar serviços públicos, como saúde, educação e segurança, enquanto 45% acham que não são bem utilizados.

“Isso mostra que existe uma percepção para a maioria dos brasileiros, mais de 80%, acha os impostos são elevados, mas ainda quase metade dos entrevistados consideram que eles não são bem utilizados para esse fim”, destacou Cunha.

Esses 82% dos entrevistados que acham que os impostos são elevados representam 135 milhões de brasileiros. Enquanto isso, 120 milhões de brasileiros consideram que o sistema tributário é confuso demais.

Segundo a pesquisa, a falta de clareza aparece também na avaliação das regras: metade da população avalia mal a facilidade para entendê-las, o equivalente a 84 milhões de brasileiros, e 56% avaliam mal a frequência com que essas regras mudam.

A pesquisa ouviu 1.000 brasileiros com 18 anos ou mais, por meio de entrevistas digitais, por autopreenchimento, entre os dias 26 de março e 6 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.