O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), conhecido como prévia da inflação oficial, acelerou em abril frente a alta de 0,44% de março, para 0,89%, refletindo o forte impacto do grupo de alimentação e bebidas e de transportes, de 0,31 e de 0,27 ponto percentual, respectivamente. Juntos, os dois grupos respondem por 65% do índice do mês. Em abril de 2025, a taxa foi de 0,43%.
O dado, apesar de ter ficado abaixo da expectativa do mercado, de 0,98%, o indicador mostra aceleração frente ao dado de março, comprovando os efeitos do conflito no Oriente Médio, que tem disseminado a alta de preços de alimentos e de combustívieis, e, assim, colocando uma pulga atrás do orelha dos diretores do Banco Central que começam, hoje, a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a terceira do ano.
“Essa surpresa benigna no IPCA-15 não pode ser vista como uma boa notícia, os efeitos da guerra no Irã mostram sua influência no índice como podemos ver na alta de 6,23% na gasolina e de 16% no óleo diesel”, destacou o economista André Perfeito, da Garantia Capital. Ele lembrou que as pressões no grupo alimentação sugerem, de maneira inequívoca, os repasses dos aumentos dos custos de transportes e de fertilizantes chegando à mesa do brasileiros, o que pode ser um alerta adicional para o Banco Central neste primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A difusão de alta de preços na economia aumentou, passando de 63% para 67%, conforme os dados do IBGE.
Na avaliação de Perfeito, o apesar de um comportamento melhor nos preços no setor de serviços, isso não retira o ‘bode da sala’, porque o BC deverá cortar a taxa básica da economia (Selic) de forma gradual, ou seja, manterá o ritmo de corte da reunião anterior, de 25 pontos-base.
“O fato de o governo estar preparando um novo Desenrola, com descontos de até 90% nas dívidas dos brasileiros endividados é outro sinal de alerta para o Copom, na avaliação de Perfeito. “Vale notar que a perspectiva do programa Desenrola, que pese sua necessidade para aliviar os balanços das famílias, retira potência da política monetária, tornando o Copom ainda mais cauteloso”, acrescentou.
Conforme os dados do IBGE, no ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,39%, e, nos últimos 12 meses até abril, de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. “No geral, as principais métricas do IPCA-15 se distanciaram ainda mais da meta de inflação. Esperamos que os efeitos do conflito no Oriente Médio sejam cada vez mais sentidos”, destacou o economista Alexandre Maluf, da XP Investimentos que, apesar da surpresa no indicador, manteve em 5,1% a projeção de 5,1% para o IPCA de 2026. “Os níveis atuais dos preços de energia mais do que compensam a recente apreciação da taxa de câmbio. Em relação à política monetária, esperamos que o Copom corte a taxa Selic em 25 pontos-base amanhã, mas a magnitude do ciclo de afrouxamento segue condicionada à guerra.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, todos apresentaram alta de preços. E alimentação e bebidas teve a maior variação, de 1,46%, seguido por Transportes, com alta de 1,34% no mês. Saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,93%, no mês, teve impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA-15, a terceira maior influência no resultado geral. As demais variações ficaram entre o 0,05% de Educação e o 0,76% de vestuário.
No grupo alimentação e bebidas (1,46%), a alimentação no domicílio acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os alimentos, contribuíram para esse resultado as altas da cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%). No lado das quedas sobressaem a maçã (-4,76%) e o café moído (-1,58%).
A alimentação fora do domicílio (0,70%) acelerou em relação ao mês de março (0,35%), em virtude da alta do lanche (0,87%) e da refeição (0,65%), que haviam registrado, em março, altas de 0,50% e 0,31%, respectivamente.
A variação positiva de preços do grupo transportes acelerou na passagem de março, de 0,21%, para abril, de 1,34%, impulsionada pela alta nos combustíveis, que passou de -0,03% para 6,06% no mesmo período. A gasolina, que em março teve queda de 0,08%, registrou alta de 6,23%, em abril, sendo o principal impacto individual no índice do mês (de 0,32 ponto percentual). A alta no óleo diesel, que saiu de 3,77% em março para 16% em abril, representou um impacto de 0,04 ponto percentual no IPCA-15.