O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,8% em janeiro de 2026, conforme dados divulgados pelo BC, nesta segunda-feira (16/3), na série ajustada sazonalmente.
O dado veio em linha com as projeções do mercado e mostrou avanço frente a dezembro, quando a queda foi de 0,15%, de acordo com os dados revisados pelo BC. Antes, o recuo era de 0,18%. Contudo, apesar de o IBC-Br de janeiro confirmar um movimento mais positivo no primeiro trimestre de 2026, as incertezas em torno dos impactos da nova guerra no Oriente Médio podem indicar uma desaceleração ainda mais forte na atividade da economia brasileira — que deverá acompanhar a perspectiva crescente de desaceleração na economia global caso a guerra se estenda por mais tempo do que o inicialmente previsto.
Na comparação com janeiro de 2025, o IBC-Br total cresceu 0,98% na série sem ajuste sazonal, abaixo das projeções do mercado, que indicavam avanço de 1,80%. O resultado do IBC-Br de janeiro, contudo, ainda não contabiliza os impactos da nova guerra no Oriente Médio, deflagrada pelos Estados Unidos e por Israel, em 28 de fevereiro, e que poderá se estender por um período mais prolongado dada a sequência de bombardeio entre eles que está em curso.
A perspectiva inicial do mercado indicava uma desaceleração em relação a 2025, quando o PIB cresceu 2,3%. A mediana das projeções do mercado para o PIB deste ano está em 1,83%, conforme os dados do boletim Focus, divulgado também hoje.
Pelas estimativas dos economistas Fabio Ramos, Alexandre de Azara e Rodrigo Martins, do banco suíço UBS, por exemplo, haverá uma desaceleração forte no crescimento anual do PIB no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelos efeitos de base, e, o PIB seguirá crescendo abaixo do potencial. Segundo eles, o desempenho da agricultura, neste ano, não será tão pujante como no ano passado, quando disparou 21% nos primeiros três meses de 2025 devido à safra recorde de grãos.
“As condições externas são agora uma importante fonte de incerteza. O conflito no Golfo Pérsico adiciona volatilidade aos preços das commodities e às condições financeiras globais. Isoladamente, um aumento de 10% nos preços do petróleo poderia adicionar cerca de 20 pontos-base ao PIB do Brasil, mas, na prática, tais choques tendem a coincidir com maior aversão ao risco global, apertando as condições financeiras e compensando o efeito positivo nos termos de troca”, destacam os analistas em relatório enviado aos cliente.
De acordo com os analistas do banco suíço, em um cenário de conflito prolongado, o Brasil ainda pode ter um desempenho relativamente melhor do que outros mercados emergentes, mas o equilíbrio de riscos permanece assimétrico. “No geral o crescimento em 2026 provavelmente ficará ligeiramente abaixo do potencial, que estimamos na faixa de 2% a 2,5%”, acrescentaram no documento.
Os economistas do UBS mantiveram as projeções para o crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano, de 0,3%, na comparação com o trimestre anterior, e de 1,5% no ano de 2026 – abaixo da mediana das projeções do mercado do Focus, que elevou de 12,13% para 12,25% a estimativa para a taxa básica da economia (Selic) no fim deste ano. Atualmente, os juros básicos estão em 15% ao ano – maior patamar desde julho de 2006 – e, apesar da disparada dos preços do petróleo, o consenso do mercado é de que haverá corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã e termina na quarta-feira (18/3).
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, também reforçou as apostas de desaceleração na economia neste ano, apesar do resultado positivo do IBC-Br. “Apesar do bom resultado de janeiro, a economia brasileira está em rota de desaceleração e dificilmente será revertido em virtude tanto dos juros ainda restritivos no Brasil, bem como o cenário geopolítico em alerta”, afirmou. Para reunião do Copom desta semana, ele projeta corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, pois, considera haver condições estruturais para um corte de juros.
“O cenário internacional ganhou um fato novo com guerra entre Irã e Estados Unidos, todavia, não será um corte de 50 ou 25 pontos-base em março que evitará problemas inflacionários derivados dos custos associados ao petróleo, tampouco trata-se de um choque estrutural para que a autoridade monetária seja estimulada a alterar seu plano de voo”, escreveu Agostini, em relatório para clientes.
O economista da Austin avaliou ainda que os indicadores antecedentes têm reforçado a expectativa de desaceleração da atividade neste ano. “Por fim, caberá ao Copom manter o teor duro no comunicado pós decisão, e explicitar quais são suas preocupações acerca da dinâmica dos preços do petróleo e seus efeitos na economia brasileira”, acrescentou.
Na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, o dado do IBC-Br de janeiro, em linha com as projeções do mercado, mostrou crescimento disseminado em janeiro, com destaque para o setor de serviços, que apresentou avanço de 0,8%, após resultados fracos em 2025. Ele considerou que o componente da indústria também apresentou sinais promissores no primeiro mês de 2026, com alta de 0,4% na comparação mensal após três meses de quedas. O fato de o indicador de impostos também avançar no crescimento na comparação mensal, de 0,5%, também ajudou no resultado do indicador.
Pelas projeções da XP, mais otimistas do que as do UBS, por conta do impulso fiscal esperado pelas medidas do governo federa. que devem impulsionar o PIB em 0,9 ponto percentual, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e programas de crédito consignado em curso. A instituição projeta que o PIB deverá crescer 1%, no primeiro trimestre, e 2%, no acumulado do ano. “Impulsos de renda e crédito devem reacelerar a atividade neste ano. Além disso, o aumento significativo nos gastos de governos estaduais e a expansão contínua da renda disponível às famílias também devem contribuir para a aceleração da atividade econômica neste ano”, acrescentou.