Mais etanol na gasolina: o que muda para o motor?

Percentual obrigatório de álcool foi elevado de 30% para 32%, mas especialista da Motul garante: “Combustível não ficou pior e manutenção segue exatamente a mesma lógica”

Força-tarefa integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procon e Inmetro fiscaliza postos revendedores de combustíveis em Brasília.

Em julho deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento temporário do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina no Brasil. Desde agosto, o volume de álcool na gasolina comum e comum aditivada aumentou de 30% para 32%, dando origem à E32. O que muda para o consumidor? Há mitos sobre essa mudança no combustível? Por que a gasolina do Brasil tem etanol? A Motul, multinacional francesa especializada em lubrificantes e fluidos de alta tecnologia, mobilizou seus engenheiros e técnicos para explicar o que acontece com essa adição. 

O Brasil tem uma longa experiência com biocombustíveis, sendo um dos maiores produtores do mundo e referência em etanol. Ao longo dos anos, o percentual de etanol anidro na gasolina foi ajustado de acordo com a política energética e os requisitos técnicos, com a Lei do Combustível do Futuro, de 2024, permitindo que a proporção chegue a 35% desde que comprovada sua viabilidade técnica. Trata-se de uma política de estado que existe há mais de 50 anos com o objetivo de reduzir a dependência do petróleo e que também torna a gasolina brasileira menos poluente.

O aumento do percentual de etanol na gasolina do Brasil tem ocorrido em etapas. Em 2025, subiu de 27% para 30%. Um ano depois, para 32%. Para implementar esse novo número, a E32 passou por uma bateria de testes de dirigibilidade, desempenho, emissões, partida a frio e estabilidade conduzidos pelo renomado Instituto Mauá de Tecnologia, de São Paulo, em veículos leves e motocicletas, comprovando a viabilidade da nova mistura.

A gasolina com etanol fica pior? Não!
Apesar de ter autonomia inferior à da gasolina, o etanol tem mais octanagem – o que significa mais resistência à detonação espontânea no motor. Na prática, isso pode aumentar a margem para que motores projetados e calibrados adequadamente trabalhem com parâmetros de combustão mais exigentes. No entanto, isso não significa que a E32 necessariamente deixa o carro mais potente, já que isso depende de fatores como o projeto do motor, a taxa de compressão, a calibração eletrônica e o sistema de alimentação.

“A E32 foi testada de forma extensiva antes de ser disponibilizada ao consumidor final e não exige do motorista ou motociclista nenhuma mudança na manutenção do veículo”, explica Caio Freitas, especialista de produtos da Motul. “O combustível não ficou pior ou melhor por conta do aumento de etanol na gasolina: um tem mais octanagem e o outro oferece mais autonomia. Na realidade, o consumidor não vai sentir praticamente nenhuma diferença com a mudança, seja no curto ou no longo prazo”.

O etanol causa a carbonização do motor? Não necessariamente.
Uma das maiores confusões sobre o assunto é tratar a presença do etanol como causa automática de carbonização, quando o motor acumula resíduos de carvão e fuligem nas peças internas. Esse fenômeno independe do combustível e tem causas muito mais complexas relacionadas à combustão, às características do combustível, ao projeto do motor e às condições de uso do veículo, ocorrendo também com combustíveis derivados do petróleo.

A E32 requer uma mudança na manutenção do veículo? Também não!
A mudança da E30 para a E32 não exige que o motorista ou motociclista antecipe as revisões, troque componentes ou utilize novos aditivos. A Motul segue com a mesma recomendação: seguir as recomendações do fabricante do veículo e realizar a manutenção preventiva conforme o manual do proprietário e as orientações da montadora. Consultar o manual e a fabricante é ainda mais importante em caso de veículos antigos ou importados com limite expresso de etanol no combustível.

Também é fundamental abastecer em postos de confiança e ter cuidado com o envelhecimento do combustível. Se a gasolina ficar armazenada por longos períodos no tanque, ela pode sofrer oxidação e degradação, gerando resíduos, gomas e películas aderentes que se acumulam no sistema de alimentação. Portanto, cuidado com carros ou motos que ficam muito tempo parados ou veículos de coleção. 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Caso o sistema de alimentação apresente algum problema, o que pode acontecer mesmo utilizando combustível dentro das especificações e em boas condições de uso, há produtos desenvolvidos especificamente para a limpeza do sistema. 

Tanto para a frota brasileira flex, com aditivo compatível com gasolina, etanol e suas misturas que limpa e controla a formação de depósitos, quanto para veículos a gasolina, com produtos dedicados à limpeza das válvulas de admissão e dos injetores. Há, também, soluções para motos, como um aditivo para ser adicionado à gasolina que pode ser usado em todos os tipos de motores de motocicletas 2 tempos e 4 tempos.