A picape média Ram Dakota chegou aos concessionários da marca em janeiro de 2026. Mesmo assim, rapidamente conquistou espaço em um segmento tradicional e, no acumulado de janeiro a julho, já aparece entre os modelos mais vendidos da categoria. Foram 2.566 unidades emplacadas no período, à frente de concorrentes tradicionais como Volkswagen Amarok e Nissan Frontier. Ainda está, porém, distante das três líderes do mercado: Toyota Hilux, com 25.933 unidades; Ford Ranger, com 19.261; e Chevrolet S10, com 16.588. Juntas, elas respondem por quase 75% do segmento.

Os compradores de picapes médias são, em geral, mais conservadores do que os consumidores de automóveis. Valorizam marca, confiabilidade, capacidade de trabalho e, claro, valor de revenda. Mas isso não significa que rejeitem novidades. Desde que sejam interessantes. É justamente na avaliação do conjunto de benefícios oferecidos ao comprador que a Dakota começa a surpreender. A picape tem uma relação entre preço e equipamentos bastante competitiva e, em vários aspectos, oferece mais que concorrentes tradicionais, como a Hilux.
A coluna Multieixos testou durante uma semana a Dakota na versão Laramie. É uma picape média de cabine dupla, construída sobre chassi, com motor turbodiesel, câmbio automático e tração 4×4. Tem boa capacidade de carga, de até 1.020 kg, e pode rebocar até 3,5 toneladas. Sua proposta está claramente mais próxima da tradição das picapes de trabalho do que de modelos destinados prioritariamente ao uso urbano. Não é uma picape de grandes dimensões, como a Ram 2500, nem utiliza a construção monobloco da Rampage. E pode funcionar como uma porta de entrada para quem deseja ingressar no universo das picapes a diesel da Ram.

Mas será que esses atributos são suficientes para convencer o consumidor a mudar de marca? Aí, só o tempo dirá. Afinal, só daqui a alguns anos será possível avaliar com precisão a depreciação, o custo de manutenção e a liquidez da Dakota no mercado de usados. Para quem utiliza a picape como ferramenta de trabalho, também será necessário observar sua durabilidade e os custos de operação ao longo do tempo. Por enquanto, a Dakota entra na disputa com uma combinação interessante: motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm de torque, câmbio automático de oito marchas e tração 4×4 com reduzida e bloqueio do diferencial traseiro. É uma receita que reforça sua capacidade para enfrentar terrenos de baixa aderência e situações de uso mais severo.
Diferentes situações
O sistema de tração pode distribuir automaticamente o torque entre os eixos de acordo com as condições de aderência. O motorista também pode selecionar diferentes modos de funcionamento, incluindo 4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida. A escolha é feita por meio de um comando giratório localizado no console central, próximo ao seletor do câmbio. Este, por sua vez, é do tipo joystick e retorna automaticamente à posição P (Park) quando a picape é desligada.

Para uso fora de estrada, a Dakota Laramie ainda oferece bloqueio mecânico do diferencial traseiro, acionado por um botão no console central. Há também quatro modos de condução: Normal, Sport, Snow (neve) e Sand/Mud (areia/lama). A direção tem assistência elétrica e três níveis de peso — leve, normal e firme — que podem ser escolhidos pelo motorista.

Equipamento x preço
A versão testada, a Laramie, é a mais sofisticada da linha e tem acabamento externo com detalhes cromados. Seu preço parte de R$ 323 mil na cor preta; outras opções de pintura acrescentam R$ 2 mil. Mesmo nessa faixa de preço, a Dakota entrega equipamentos que, em algumas concorrentes, aparecem apenas nas versões mais caras. Entre eles estão a central multimídia de 12,3 polegadas, ar-condicionado de duas zonas com saída para os passageiros traseiros, bancos revestidos em couro, controle adaptativo de velocidade, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa e alerta de tráfego cruzado. O ar-condicionado pode ser comandado tanto pela central multimídia quanto pelos controles físicos no painel — uma solução simples, mas que facilita a operação durante a condução.

A Dakota não tem o motor mais potente do segmento. Seu 2.2 turbodiesel produz 200 cv, potência semelhante à de boa parte das concorrentes, embora existam diferenças importantes entre elas. A Ford Ranger V6, por exemplo, é uma exceção, com 250 cv e 61,2 kgfm. A Chevrolet S10 também se destaca pelo torque de 52 kgfm. Em consumo, a Dakota apresenta números competitivos: 9,7 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, segundo os dados oficiais. Seu desempenho também é adequado à proposta: acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos e atinge 180 km/h.
Portanto, a Dakota não tenta necessariamente vencer as concorrentes em potência, consumo ou desempenho. Seu argumento é outro: reunir capacidade de trabalho, tecnologia, acabamento e imagem de marca em um único produto.

Irmã da Fiat Titano?
A Dakota compartilha boa parte da base mecânica com a Fiat Titano, outro modelo do grupo Stellantis. As duas utilizam o motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm e têm proposta semelhante de utilização fora do asfalto. Isso poderia fazer algum interessado desistir da Ram? É possível. Mas a marca tem um argumento que não aparece na ficha técnica: imagem e percepção de prestígio. A Dakota também se diferencia pelo acabamento, pelo nível de equipamentos e pela experiência proporcionada ao motorista. Por outro lado, a pouca história da Ram nesse segmento específico e o valor de revenda ainda desconhecido são pontos que podem pesar contra o modelo para o consumidor mais conservador.
E mais
Equipamentos — A caçamba é revestida, tem iluminação interna e terceira luz de freio em LED. Há ainda ganchos de carga e capota marítima. A tampa traseira é amortecida e possui trava elétrica.

Conjunto óptico — A Laramie possui uma barra frontal de LED que une os faróis e apresenta uma animação ao travar ou destravar a picape. As luzes indicadoras de direção também são dinâmicas, tanto na dianteira quanto na traseira.
Central multimídia — A tela de 12,3 polegadas oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio, navegação embarcada, páginas específicas para uso fora de estrada e assistente virtual.

Câmeras — O sistema de câmeras 540° permite visualizar a picape de cima e em perspectiva tridimensional. Há ainda a possibilidade de tornar virtualmente transparente a carroceria para visualizar obstáculos que estejam sob o veículo.
Segurança — A Dakota Laramie tem seis airbags, freios a disco ventilados nas quatro rodas e controle eletrônico de estabilidade, além de assistentes de rampa e de descida. O freio de estacionamento é eletrônico e há sensores de chuva e crepuscular e retrovisor interno eletrocrômico. Os retrovisores externos têm rebatimento elétrico e desembaçador.
Conveniência — São três portas USB, sendo duas do tipo C e uma do tipo A. Há também carregador de smartphone por indução com sistema de refrigeração integrado.

No fim das contas, a Dakota não precisa ser a picape mais potente, mais econômica ou mais vendida para justificar sua existência. Seu trunfo está justamente na combinação de atributos que oferece: é uma picape de trabalho, mas não abre mão de conforto; tem capacidade para o fora-de-estrada, mas oferece bom nível de tecnologia; e tenta conquistar um público tradicional com uma marca que carrega forte apelo entre os admiradores de picapes. Enfim: para quem procura uma média a diesel 4×4 e está disposto a olhar além das escolhas tradicionais, a Dakota Laramie tem argumentos suficientes para entrar na lista de opções.

























































































