Dois candidatos que se autodeclaram quilombolas disputam, neste ano, vagas no Distrito Federal a cargos no Legislativo. Ravan Leão (Republicanos) concorre à Câmara dos Deputados, enquanto Noemia Bispo (Novo) disputa uma cadeira na Câmara Legislativa. Em todo o país, são 214 candidatos autodeclarados, o que representa 1,03% do total de candidaturas.
A presença dos dois nomes ocorre em meio à ampliação dos dados de identificação étnica no cadastro eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a coletar informações autodeclaratórias sobre pertencimento a comunidades quilombolas de candidatos a partir das eleições municipais de 2024. A medida foi instituída pela Resolução nº 23.729/2024 do TSE.
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Ravan Leão, 47 anos, construiu a trajetória profissional nas áreas de direito e socioeducação. É advogado, professor e agente do sistema socioeducativo do Distrito Federal. A origem quilombola está relacionada à família no Norte de Minas Gerais.
O candidato apresenta uma agenda voltada principalmente para educação, acesso ao serviço público e cidadania, além de políticas de inclusão racial. Uma das principais propostas é um programa que prevê financiamento para que pessoas de baixa renda possam se preparar para concursos públicos. A iniciativa inclui curso preparatório, material e mentoria.
Noemia Bispo nasceu em Cavalcante (GO) e vive em Brasília. A campanha da candidata concentra-se principalmente em saúde, assistência social e representação política. Entre as propostas está a destinação de recursos para ampliar o atendimento de saúde às comunidades quilombolas. A candidata também defende políticas públicas voltadas à saúde da mulher, com atenção ao climatério e à menopausa.
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Na área social, propõe o fortalecimento de ações destinadas à população em situação de rua. Também defende maior participação de mulheres negras e integrantes de comunidades tradicionais na política. Na esfera política, acumulou uma sólida experiência prática de 12 anos de atuação como assessora parlamentar.
Um eleitorado em expansão
A evolução do cadastro eleitoral ajuda a dimensionar o contexto em que as candidaturas aparecem. Segundo o TSE, o número de eleitores que se autodeclaram quilombolas no país passou de 95.409 em 2024 para 188.371 em 2026, aumento de 97%.
O tribunal ressalta, porém, que parte desse crescimento está relacionada à ampliação do preenchimento e à qualificação das informações cadastrais, e não necessariamente ao crescimento demográfico do grupo. No Centro-Oeste, o eleitorado quilombola passou de 6.084 para 10.169 pessoas no mesmo período, alta de cerca de 67%.
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O país tem mais de 1,33 milhão de quilombolas, sengundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No DF, foram contabilizadas 305 pessoas quilombolas no DF. Todas estavam fora de territórios quilombolas oficialmente delimitados.