Clima expõe pressão por eficiência nos bancos multilaterais

Países cobram mais agilidade e coordenação para financiar a transição de baixo carbono, estudo da ODI Global aponta entraves e alta demanda por recursos

Apesar da relevância, entraves operacionais ainda limitam a resposta das instituições diante da crescente demanda por recursos para a transição de baixo carbono. Foto: Divulgação.

Países têm intensificado a pressão por mais agilidade e coordenação na atuação dos bancos multilaterais de desenvolvimento, considerados peças-chave no financiamento do crescimento e no enfrentamento da crise climática

Um levantamento da ODI Global mostra que, apesar da relevância dessas instituições, persistem entraves operacionais que limitam sua capacidade de resposta, especialmente em um cenário de demanda crescente por recursos e soluções para a transição de baixo carbono.

A pesquisa ouviu 650 representantes de 125 países e indica que o entrave não está na falta de recursos, mas na forma como são aplicados. Quase metade dos entrevistados aponta problemas como demora na liberação de financiamentos e sobreposição de exigências entre diferentes bancos, o que eleva custos e reduz a eficácia dos projetos.

“Esta edição da pesquisa é uma ferramenta fundamental para avaliar o progresso alcançado até o momento na implementação da mais recente onda de reformas dos bancos multilaterais de desenvolvimento, sob as perspectivas individual e sistêmica. A visão de seus clientes é essencial para nos ajudar a mapear as áreas de políticas públicas que exigem mais ação e pressão política”, afirma Annalisa Prizzon, pesquisadora principal da ODI Global.

Apesar das críticas, 75% dos entrevistados consideram essas instituições muito ou extremamente importantes, e a tendência é de aumento na demanda por financiamento. O desafio, segundo o estudo, é tornar a operação mais ágil, coordenada e alinhada às prioridades nacionais.

“Os resultados do estudo mostram com clareza que o desafio hoje não é apenas ampliar o volume de recursos dos bancos multilaterais de desenvolvimento, mas sobretudo torná-los mais ágeis, coordenados e responsivos às necessidades climáticas dos países”, afirma Lucca Rizzo, do Instituto Clima e Sociedade.

Segundo ele, o diagnóstico está alinhado às iniciativas do G20 sob a presidência brasileira, que incluiu a reforma dos bancos multilaterais na agenda, movimento posteriormente reforçado no encontro de ministros de Finanças durante a COP30. “Avançar nessa agenda é um passo essencial para que os recursos cheguem em escala nos países em desenvolvimento”, acrescenta Rizzo.

Brasil

No caso brasileiro, o levantamento aponta um cenário ainda em ajuste. Há avanços na articulação entre bancos multilaterais, mas persistem entraves operacionais que limitam maior eficiência. Autoridades ouvidas destacam iniciativas recentes de maior alinhamento, como operações conjuntas voltadas a políticas públicas e parcerias institucionais entre as instituições.

Um dos principais exemplos é o programa Eco Invest Brasil, conduzido pelo Ministério da Fazenda com apoio de bancos multilaterais, com foco na atração de capital estrangeiro para a transição climática. A iniciativa busca enfrentar desafios como o risco cambial e a baixa bancabilidade de projetos, por meio de instrumentos financeiros e mecanismos de mitigação de risco.

Segundo o estudo, os resultados tendem a ser mais consistentes quando há coordenação ativa do governo federal, com definição clara de prioridades e integração entre estratégias. A experiência brasileira indica que o principal desafio está na governança dessa relação, especialmente na convergência de agendas e na execução operacional.